"In three words I can sum up everything I have learned about life: it goes on."


Tuesday, February 21, 2012

Te esperando depois do carnaval

and so I
quit the idea
of calling you
and I
threw my cell phone
away
and sat all the fucking
afternoon
in my bed
with the sun
shining out there
with my
eyes wide open
boiling under a forty
deegres summer
wishing a little
(1) or (2)
on the left top
of my
monitor
and I stayed
here waiting you appear
after all
these carnival days
and come after me
to say
just
hi
at least
again.

Monday, February 20, 2012

31



"Seu vestido estampado
Dei a quem pudesse servir
Agora que eu não posso mais caber em ti
Não quero te ver, dizem que você não quer mais me olhar
Como velhos desconhecidos se você não me escuta eu não vou te chamar
O amor que eu dei não foi o mesmo que eu vi acabar
O amor só mudou de cor, agora já ta desbotado
Corra lá vem à tristeza atirando pra todos os lados
Pegue o vestido estampado, guarde pro carnaval
Guarde que eu nunca te quis mal
Até o feriado quarta feira de cinzas e ta tudo acabado"

Sempre reclamei pra mãe o porquê de ela ter me dado tantos valores. Pessoas sem valores são mais felizes, não ficam super reagindo e/ou pensando sobre as coisas.
Pessoas sem valores não deixam de falar o que pensam, por aparências e educação. Se eu fosse uma delas (e Deus sabe como gostaria de) agora eu estaria entupida de fluoxetina e álcool.
Mas ao contrário, estou sentada no escuro sentindo tantos sentimentos sem nome no meio de uma madrugada de domingo de carnaval.
Carnaval. Quatro dias de felicidades. Quatro: eu com ela, eu sem ela, nós por cima, nós por baixo. Nós quatro.
Talvez porque a felicidade seja grande e a sinceridade pequena, e todo mundo é tão feliz e eu sinto essa obrigação de ser feliz com todos eles, mas eu não sou e me sinto sufocada no meio disso e. Porque eu sempre fui muito estranha pra tudo isso, muito estranha pra manter amizades, muito estranha pra me encaixar, muito estranha pra achar que receber tantos elogios de gente que não me conhece é legal, porque não é!
Parem!! Parem de me chamar de linda, parem de me elogiar PAREM DE SER ASSIM. PAREM.
Quarta-feira de cinzas, chegue logo! Não aguento mais tanto colorido pra tanto lado, e sinceramente todos nós sabemos que a onda do color block já passou e o lance do inverno vai ser o monocromatismo.
Então que acabe. O verão, fevereiro, minhas maquiagens. Que a água da piscina fiquei bem da gelada e suja, com folhas no fundo e objetos flutuando.
(quem sabe um corpo boiando)
(quem sabe ainda ele seja meu)
No meio do meu peito teria um bilhete escrito em sangue. Ele começaria assim: For you my heart, my lungs, my liver and my entire soul with lots of love, sweetie.

Sunday, February 19, 2012

Are you always sad? (Someone asked)
(Always is such a long, long time)
I couldn't say, but.
Is sadness was a sea, I'd drown in it.
(Salty and warm, sadness is.)
(Cold, too. Sometimes.)
And I happen to love the sea.


Sunday, February 05, 2012

A legião estrangeira

"Devagar fui me reclinando no espaldar da cadeira, sua inveja que desnudava minha pobreza, e deixava minha pobreza pensativa; não estivesse ali, e ela roubava minha pobreza também; ela queria tudo. Depois que o tremor da cobiça passou, o escuro dos olhos sofreu todo: não era somente a um rosto sem cobertura que eu a expunha, agora eu a expusera ao melhor do mundo: a um pinto. Sem me verem, seus olhos quentes me fitavam numa abstração intensa que se punha em íntimo contato com minha intimidade. Alguma coisa acontecia que eu não conseguia entender a olho nu. E de novo o desejo voltou.
Dessa vez os olhos se angustiaram como se nada pudessem fazer com o resto do corpo que se desprendia independente. E mais se alargavam, espantados com o esforço físico da decomposição que dentro dela se fazia. A boca delicada ficou um pouco infantil, de um roxo pisado. Olhou para o teto - as olheiras davam-lhe um ar de marítimo supremo. Sem me mexer, eu a olhava.
(...)
Nela a grande pergunta me envolvia: vale a pena? Não sei, disse-lhe minha quietude cada vez maior, mas é assim. Ali, diante de meu silêncio, ela estava se dando ao processo, e se me perguntava a grande pergunta, tinha que ficar sem resposta. Tinha que se dar - por nada. Teria que ser. E por nada. Ela se agarrava em si, não querendo. Mas eu esperava. Eu sabia que nós somos aquilo que tem de acontecer.
Eu só podia servir-lhe a ela de silêncio. E, deslumbrada de desentendimento, ouvia bater dentro de mim um coração que não era o meu. Diante de meus olhos fascinados, ali diante de mim, como um ectoplasma,ela estava se transformando em criança.
Não sem dor.Em silêncio eu via a dor de sua alegria difícil.
A lenta cólica de um caracol. Ela passou devagar a língua pelos lábios finos. (Me ajuda, disse seu corpo na bipatirção penosa. Estou ajudando, respondeu minha imobilidade.) A agonia lenta.
(...)
Mas ela sofria. Com alguma vergonha notei afinal que estava me vigiando. A outra sofria, fingia, olhava para o teto. A boca, as olheiras.
(...)
- Eu...? perguntou sonsa.
- Mas só se você quiser.
Sei que deveria ter mandado, para não expô-la à humilhação de querer tanto. Sei que não lhe deveria ter dado a escolha, e então teria a desculpa de que fora obrigada a obedecer. Mas naquele momento não era por vingança que eu lhe dava o tormento da liberdade. É que aquele passo, também aquele passo ela deveria dar sozinha. Sozinha e agora. Ela é que teria de ir à montanha. Por que - confundia-me eu - por que estou tentando soprar minha vida na sua boca roxa? por que estou lhe dando respiração? como ouso respirar dentro dela, se eu mesma... - somente para que ela ande, estou lhe dando os passos penosos? sopro-lhe minha vida só para que um dia, exausta, ela por um instante sinta como se a montanha tivesse caminhado até ela?
Teria eu o direito. Mas não tinha escolha. Era uma emergência como se os lábios da menina estivessem cada vez mais roxos.
(...)
A uma distância infinita eu via o chão. Ofélia, tentei eu inutilmente atingir à distância o coração da menina calada. Oh, não se assuste muito! às vezes a gente mata por amor, mas juro que um dia a gente esquece, juro! a gente não ama bem, ouça, repeti como se pudesse alcançá-la antes que, desistindo de servir ao verdadeiro, ela fosse altivamente servir ao nada. Eu que não me lembrara de avisar que sem o medo havia o mundo. Mas juro que isso é a respiração. Eu estava muito cansada, sentei-meno banco da cozinha.
Onde agora estou, batendo devagar o bolo de amanhã. Sentada, como se durante todos esses anos eu tivesse com paciência esperado na cozinha."
Sticks and
Stones may
Break her
Bones but
Names could
Make her
Starve herself
To death

Friday, February 03, 2012

30

Veio do nada sem mais nem menos trazida assim, pelo vento. Tentou curar todos os meus machucados existentes, passou merthiolate-que-não-ardia, colocou gaze, colou com microporio, e checou todos os dias se estavam curando como o planejado.
Me olhava com os olhos, e me beijava com eles também. Ouvia atentamente tudo que era dito por mim, sempre me dando a razão, o direito de escolha ou os dois.
Retribui e beijei-te com meus olhos de volta. Comecei a olhar-te de maneira diferente da qual anteriormente distraída, ocupada, trancada e iludida no meu próprio mundo sempre olhei para outras pessoas. Renunciei minha razão, meu direito de escolha, ou os dois.
Cansastes. Logo quando meus machucados tinham começado a formar cascas!
O sangue seco coagulado em cima da ferida, algumas cascas já bem sequinhas mas ainda grudadas na gaze que foi arrancada rapidamente.
Levastes contigo minhas cascas, e me deixastes com os joelhos hemorrágicos jorrando novamente.
Do nada fostes com o vento assim como um dia trazida, acontece. Pena que depois que o merthiolate-que-não-arde acabou só me restou oxigenada cinquenta.

Thursday, February 02, 2012

C'est que j'ai envie d'avoir fait
Envie d'avoir dit
C'est que j'ai envie d'avoir été
Envie d'avoir compris
C'est que j'ai envie d'avoir croqué, d'avoir brûlé
D'avoir glissé
C'est que j'ai envie d'avoir chéri
Et que le diable me pardonne toutes mes belles envies

C'est que j'ai envie d'avoir vu
Et d'avoir frémi
C'est que j'ai envie d'avoir connu
Envie d'avoir conquis
C'est que j'ai envie d'avoir creusé, d'avoir ramé, d'avoir
Tout eu, et envie d'avoir tout perdu
Et que le diable me pardonne ces envies saugrenues

Mais le temps me plie m'enlise
Je m'y brise les dents c'est lui le gagnant

Alors j'ai envie d'avoir goûté
D'avoir entendu
Alors j'ai envie d'avoir dansé
D'avoir touché les nues
Alors j'ai envie d'avoir prié d'avoir desiré dévoré
Je veux avoir chanté et bu
Et que le diable me pardonne ces envies sans retenue

Mais le temps m'embarque il me nargue
Il m'emporte sûrement et doucement le temps

Alors j'ai envie d'avoir aimé
D'avoir adoré
Alors j'ai envie d'avoir maudit
Et d'avoir détesté
Alors j'ai envie d'avoir voulu d'avoir mordu d'avoir
Crié d'avoir soupiré et griffé
Et que le bon dieu me pardonne ces quelques doux péchés

Et que le bon dieu me pardonne
Et que le diable me pardonne
Que le bon dieu me pardonne
Que le diable me pardonne