"In three words I can sum up everything I have learned about life: it goes on."


Wednesday, December 26, 2012

"On aime sa mère presque sans le savoir
et on ne prend conscience de toute la profondeur des racines de cet amour
qu'au moment de la séparation dernière."

Thursday, December 20, 2012

somewhere inbetween

wait for me
somewhere inbetween
reality and the dreams
we have dreamt about

Tuesday, November 13, 2012

66

tristeza é te ver
às vezes em memórias
às vezes em sons
às vezes em sonhos
e às vezes em quadrados verdes
às vezes no escuro
e outras vezes em pessoas
mas nunca é tu
e mesmo se fosse tu
não seria tu
porque descobri que o tu não era tu
o meu tu de tu era na verdade
ninguém

El inmortal

Pensé en un mundo sin memoria, sin tiempo; consideré la posibilidad de un lenguaje que ignorara los sustantivos, un lenguaje de verbos impersonales o de indeclinables epítetos. Así fueron muriendo los días y con los días los años, pero algo parecido a la felicidad ocurrió una mañana. Llovió, con lentitud poderosa.

Sunday, October 28, 2012

Mas é que em toda noite de insônia eu ainda penso em te escrever.
(e olha que são muitas)

Tuesday, October 23, 2012

65

São quase três da manhã e a insônia não me deixa dormir. Não é por falta de cansaço, muito menos por falta do que fazer amanhã. Coisas dentro de mim crescem, coisas que não consigo controlar e que comem minhas entranhas, meros parasitas que dependem do sofrimento para crescer. Minha cabeça doi por dias consecutivos devido a falta desse sono desaparecido. A vida não me parece boa, ela me parece cansativa, exaustiva, sem propósito. Não sirvo pra fazer nada, e os anos só vem a confirmar esse meu achismo.
Acho que cansei. Viver não é bom, a vida é uma merda. Não entendo porque as pessoas insistem em me fazer continuar viva. Seria tão mais fácil se existisse alguém para me apoiar a morrer.
Não entendo porque as pessoas querem morrer velhas, é pedir para sofrer mais. Senhor! Que eu morra jovem, por favor.
Sinto-me exausta. Minhas pálpebras sustentam quilos de pesos, assim como as minhas costas, que já doem demais para alguém da minha idade. Assim como meus dedos e meus braços doem por causa da tendinite que a essa altura, já é avançada.
Perambulo pela casa procurando cegamente algo que me dê um sono tranquilo, não tem nada. Não existe nenhum remédio tarja preta que me faça apagar, não existe nem anti alérgico, nem paracetamol. Nada. Eu estou cansada, tão cansada. São muito gritos e muitas brigas pra nada. Eu procuro pelo quê continuar vivendo.
"É melhor morrer por algo do que viver pra nada".
Me deixa morrer, então. Eu morro por todos que continuarão vivendo: com seus empregos medíocres, para receber um salário miserável e receber ordem de um chefe ignorante, eu morro por todos nós. Morro pelos ignorantes felizes a viver suas vidas cegas. Como eu gostaria de ser um deles!
Mas não sou e vejo como o mundo é uma merda e os seres humanos são nojentos. Sigo no escuro, tateando o ar, tentando achar algo que me faça adormecer antes de amanhecer..

Thursday, October 18, 2012

64

Te transformo em
Delírios delirantes desoladores
Escuros obscuros obtusos
Inundados e incapacitados
De cheiros e vozes
Amaldiçoados pelas lembranças
Para me lembrar
Do quanto eu te desejei.

( e não hei mais de fazer, amém)

Tuesday, October 16, 2012

You and I will be again some time

Wednesday, September 19, 2012

Não tenho nenhuma dúvida que o roteiro dessa semana foi milimétricamente escrito pelo diabo.

Wednesday, September 12, 2012

63

Mas é que desencantar é tão... desencantador  
É como acordar daquele sonho maravilhoso
Com o seu amor platônico
Mas com o adicional de ser real 
E tudo que é real dói um pouquinho mais 
Já que pode ser sentido de carne e alma 
Nas unhas e nos fios de cabelo

Única e exclusiva dedução que consegui chegar 
Sozinha sob lençóis e um cansaço desumano 
Já fui mais profunda, cara 

Queria lembrar de quando não era desencantada 
E contava a chuva, os nossos cigarros, e teus sinais das coxas 
E então queria te contar tudo que 
Eu pensava de bom sobre ti, sobre o nós que não existia 
E sobre o eu que era teu. 

Nunca contei 
Por vertigem ou medo, seilá 
Calei-me após perceber que das 
Coisas que realmente interessavam 
Tu sempre calada foi...

Thursday, August 30, 2012

Don't 
Think
I'm ever
Gonna
Figure
You 
Out

Tuesday, August 28, 2012

62

Você bebe demais pra quem se diz tão feliz.
Eu bebo demais pra quem se diz tão triste.
Amanhã choverá de novo e esqueci meu guarda-chuva dentro de um ônibus.
Como esquecer um guarda-chuva enquanto chove torrencialmente lá fora?
Acho que chorei.
O bom de chorar na chuva é que a água lava a alma. As lágrimas.
Era uma pena terem-se acabado até as palavras.
As noite de agosto também já foram-se praticamente todas.
Eu fui ou voltei? Você voltou ou foi?
Com quem meu guarda-chuva está?
Eu prometi que eu não o abandonaria.
Ele era preto e novo. Acho que ele chorou também.
Negros, meus cabelos agora voam com a ventania.
Parou de chover mas o vento ainda é frio e minha roupa está molhada.
Fios cegam minha visão, escorrem pelas olheiras e colam-se nos lábios arroxeados.
O mato verde molhado é bem verde, mas a terra marrom molhada é quase preta.
Você molhada é o que?
Vomitei bile quatro vezes pra ver se passava.
Desconsiderei a impossibilidade de vomitar sentimentos.
A rua está acabando e eu suspeito que é sem saída.
Meu instrutor me disse que em um cruzamento sem saída eu paro e depois viro.
Parei e virei sem olhar nos espelhos.
Tampouco dei seta avisando que mudaria de direção.
Ainda é cedo demais pra chegar ou já é tarde demais pra ir?
Chove de novo e eu só queria meu quarda-chuva.

Saturday, August 25, 2012

61

existe uma razão pela qual eu tenho a palavra fé tatuada em mim
e não é porque eu a possua de sobra
muitos menos por crer em muita coisa
ou muita gente
eu quase não creio em nada,
diga-se de passagem.

mas é por acreditar
que algum dia as coisas mudarão
quem sabe algum dia eu acreditarei
é a vontade de acreditar
que algum dia acreditarei
no que não acredito

meu facebook agora diz
que eu estou ancorada em Florianópolis
cada vez que leio
me dá uma aflição
um arrepio que sobe e desce
algemas geladas em meus pulsos
bolas de ferro pesadas nos tornozelos
afundando-os na areia
refleti:
estaria eu ancorada em uma ilha?
escorada em uma mina?
até que faz sentido

Thursday, August 23, 2012

60

ontem li todas as tuas putarias
doeu um pouco saber
que não foram comigo
senti um pouco de ciumes
por não ser a tua puta
depois passou
lembrei que não
queria a ser mesmo
e mais depois ainda
(re)lembrei que
não sei ser
a puta de quem
gosto, só de quem
não gosto
que inocência a tua
achar que eu não
acharia tuas palavras
parece que nem 
me conhece, embora
talvez nem
me conheça mesmo
fazem cinco dias
que não tenho voz
fazem também
cinco dias
que recebi notícias
devolve, moça
devolve

Sunday, August 19, 2012

59

Li essa frase anteontem, desde então ela permaneceu presa em minha mente, brilhando como letreiros neons dos artistas que eu curto. Ela dizia: "we accept the love we think we deserve".
Imóvel por segundos, talvez tenha finalmente entendido o porquê dessa minha eterna solidão. Eu não acho esse amor dado por aí é suficiente pra mim. Não é por me achar melhor nem nada, mas eu não aceitarei pedaços, nem aturarei dores. Já doeu demais em muitas partes muitas vezes para arranjar mais uma.
Não viverei num bate-rebate, ping pong sem bola que vai, volta, erra, erra de novo, às vezes acerta e depois sorri. Ou chora.
Eu quero curas. Todas as curas e cores, amores e amoras, que alguém que eu ache que me mereça trará algum dia. E é por isso que não aceito ninguém, que interrompo, corto, arranco raízes dessas ervas daninhas que querem me dar algum amor que não é meu.

Excuse moi but I won't accept the love you think I deserve.

Sunday, August 05, 2012

Nuvens carregadas



"Havia parado de chover há cerca de duas horas. A calçada desgastada e irregular formava poças que apareciam a cada três ou quatro passos. Por todos os lados pessoas dançavam se equilibrando com sacolas e guarda-chuvas desviando dos buracos como se reconhecessem a dignidade da água suja que não quer morrer. Eles entendem? Seria muito mais fácil evaporar ou escorrer e dar um fim a tudo isso.

Do ponto de ônibus escoam meninas e meninos entediados metidos em pulôvers segurando cadernos com letras de música. Antes esticar os braços porta a fora porque me distraí contando postes e não sei mais se chove ou se parou de chover. Você ri alto demais pra quem não vê graça em coisa nenhuma. Você passa perfume demais. A mistura do perfume com a poeira me dá vontade de deitar. Esse cheiro é meu ou é seu? Amarre os cadarços e continue caminhando. Sonhei dia desses que as pessoas se ajoelhavam pra amarrar seus cadarços e não paravam nunca mais amarrando suas pernas e seus braços e troncos até na Terra só existirem múmias. Você tropeçou ao se abaixar pra amarrar os cadarços e levantou tonto não lembrando se ia ou voltava. E assim te perdi pelo caminho.

Saímos do ônibus com dezenove anos e chegamos na porta de casa com vinte e quatro. Acho que dormi.

A cidade está sob séria ameaça de outra tempestade. Depois de limparmos nossos sapatos e tirarmos nossas roupas molhadas e abrirmos nossos guarda-chuvas na varanda poderíamos muito bem fingir que a outra chuva nunca existiu. Não fossem as poças. Você acha mais bonito quem fica ou quem vai?

Me olham como se eu não devesse estar aqui.  Me olham como se eu devesse tremer e tombar. Me olham como se  a minha única saída agora fosse cair de boca no chão.

Vou amarrá-los todos em si próprios. Mumiazinhas com medo de viver e de morrer."

Monday, July 30, 2012

58

Entristeci-me tanto hoje
pelo vazio que
a saudades de ti traz
que cheguei a enjoar-me
sinto tanta falta de ti
todo santo o dia
e lá
do outro lado do mundo,
bem lá,
 estás.

Pego meu celular
e te vejo ali,
naquele sofá,
naquela manhã,
naquela cidade,
naquele dezembro.

Às vezes tenho essa
certeza absurda
que para sempre
serás o único
"o"
de todos os meus
textos.
às vezes paro
para tentar
entender o que
eu sinto por ti,
mas nunca
consigo.

Ainda te amo, cara
através de todos os
oceanos e mares
e continentes e fronteiras
e lágrimas e sorrisos
e suspiros e gemidos
e carteiras de cigarro
e baseados de maconha
e noites de choro
desesperado
na rodoviária.

Ninguém nunca mais
conseguirá
me deixar tão em pedaços
como eu fico
em cada despedida
tua, ou
em cada vez
que lembro
de uma...
independente de
quanto tempo
já tenha
passado.

É como se cada vez
que tu fosse
a Suíça ficasse
um pouquinho mais
longe do que já é
mas eu persisto
esperando-te
quem sabe,
um dia?

Aguardo-te
novamente ilhada
nessa ilha (amaldiçoada)
para o natal
como fiz nesses
últimos anos
e continuarei
fazendo
para sempre


With all my love, to Switzerland.
Nathalie.

Saturday, July 28, 2012

57

e já fazia tanto
tanto tempo que não sentia-me assim
desesperançosamente esperançosa
é como se por não estar apaixonada
eu estivesse o tempo todo, entende?
não mais presa a uma única pessoa
enquanto existem oito milhões de outras
pelas quais eu poderia apaixonar-me
muito mais, lá fora
vi um filme esses dias
lembrei de ti
a personagem falava
as mesmas frases que tu
até no mesmo
tom engraçado de voz
chorei de rir, e depois
chorei de chorar mesmo
sinto-me constantemente
perdida entre
o que sou
o que deveria ser
o que desejo ser
cansada das madrugadas
pois nelas até amor
parece pornô, então
tô tentando começar
a viver os dias
embora eu deteste a luz
"vamo vê que que dá"

Sunday, July 22, 2012

56

noites
estranhas
insanas de
luas
amareladas
e
sorridentes
(ou não)

55

É tudo uma questão de escolha, sabe? A gente perde todas as manhãs que a noite nos tira, procurando por alguém sob luzes e substâncias lisérgicas, quando na verdade a gente poderia encontrar o amor da nossa vida ali na padaria comprando pão às sete da matina ou indo caminhar na praia pegando o "sol bom".
É uma eterna procura por algo desconhecido quando nem ao menos sabemos aonde deveríamos procurar. É como perder-se por não saber viver, e no meio desse "não-saber" perdemos um tempo que poderia ser precioso se soubéssemos, você me entende?
É a incapacidade de ter o bom-senso do que deveria ser feito e não é. É a falta de coragem de correr-se atrás do que se quer quando se quer, e remoer todas as entranhas após deixar a possibilidade esvair-se entre os dedos brancos e gélidos.
É a eterna ressaca de um domingo de inverno cinza e gelado sentindo por mim mais uma vez.

Friday, July 20, 2012

54

sentimento sem nome
ou pelo contrário,
sentimento com nome
sobrenome e tudo
mais
mas
tudo fica melhor
quando
eu lembro que
existe um país
lá no outro
lado me
esperando
e o
melhor de tudo
é que
naquela língua
estranha dele
cheia de
consoantes
e palavras
complexas
a existência
da
"saudade"
é na
verdade
inexistente.

Thursday, July 19, 2012

53

mas eu só fui
pra ter certeza
do que eu já sabia
que seria

a indiferença
sim,
eu estava certa
então agora 
eu posso continuar

não precisa
me olhar nos olhos
se não quiser
meu bem
pois,
eu ainda os tenho
decorados
aqui.

Wednesday, July 11, 2012

Não ter você
Cair em si
Morrer de amor
Não é o fim
Mas me acaba

Monday, July 09, 2012

52

não tenho mais
vontade de escrever
acho que acabou
o amor
foi bem rápido
dessa vez
não sabes, mas
ontem eu te vi
de longe
bem de longe
saltitante como
sempre
e tudo que eu quis
foi correr na direção
contrária a tua
e tudo que eu
senti foi
uma não-saudade
de tudo

fica por aí
que eu fico
muito bem
por aqui
pois eu estou bem já
não se preocupa não.

e espero que
faças exatamente
o mesmo
por ti

e por elas
mas principalmente por ti.

"quem muito se ausenta uma hora deixa de fazer falta"

Friday, July 06, 2012

51

hoje a tarde foi muito feia
feia que nem a do dia
em que saímos pela primeira vez
até faltou luz aquele dia
tudo ficou cinza e escuro e
eu vi cair o mundo nesses janelões de vidro

hoje a noite vai estar tão feia quanto aquela tarde
só que minhas noites feias eram só tuas, sabe?
e elas ficavam bonitas contigo nelas
até parei de odiar a chuva
chuva significava você

hoje é a primeira noite realmente feia
desde aquela terça-feira
(que estava feia também)
como eu te queria hoje a noite, cara
nem que fosse só pra conversar
(a cinco metros de distância
uma da outra se assim preferisses)

mas eu só queria mesmo
(como sempre)
minha noite feia de hoje não é tua
e sei que assim consecutivamente será
agosto tá chegando etc e tal

meu deus! que vontade de te ligar!
[e olha que tu sabe
que eu odeio telefone
(deve ser minha vontade
silênciosa - nem tanto -
de ouvir a tua voz)
gringa]


.Calling out your name - James Blunt.

Saturday, June 30, 2012

50

não fostes meu primeiro beijo
não fostes meu primeiro amor
não fostes meu primeiro namoro
não fostes minha primeira paixão lésbica
não fostes meu maior deslize
não fostes o amor da minha vida
simplesmente não fostes

eu também não fui

mas mesmo assim fomos.

e eu nem te achava linda no começo, só muito engraçada
te conheci, conversamos, passei a te achar linda, conhecemo-nos.
me abri, insisti, persisti, já sabia o final
me procuravas, te procurei
me davas algo que eu nunca tinha tido
gostar de alguém pra caralho e ainda
possuir paz e controle do corpo
não era imaturo
e desenfreado
e..

te escrevo de novo, mais uma vez
tenho que admitir
tá acabando
às vezes acho que acabou
não me restam muitas palavras,
mas

se cuida, meu bem.
pois eu ainda te quero bem
- e muito -
.Los Hermanos - O vento.

Friday, June 29, 2012

"Nem tenho você, mas você não imagina. A falta que faz o que você podia ser. É isso. A falta que faz o que a gente podia ter sido. Aquele dia que eu te liguei e expliquei que ia acabar tudo porque eu estava gostando demais de você. E daí, meu exagero, essa coisa toda que faço, que me ultrapassa, que eu própria não aguento, que me faz querer explodir tudo pra poder voltar a respirar e saber quem eu sou e o que estou fazendo. O egoísmo de não suportar sentir o que não acaba quando eu mandar. E você me mandou a música do tornado e disse que tudo bem. This tornado loves you.
Cansei do meu orgulho cheio de ocos e ecos e secos. Então eu queria dizer como era enorme isso tudo dentro de mim. E como ainda é. Como eu levei duas multas dirigindo na contramão pra poder te dizer tchau da última vez, você nem queria me dar tchau. E te pedir desculpas porque não consegui olhar quando você entrou no táxi. Eu não consegui gostar de você de tanto que eu gostava e isso não merece chances ou palmas. Cansei de só sentir se for maior do que eu justamente pra dar a desculpa que, por ser maior do que eu, não posso sentir. É o jogo macabro que faço comigo pra nunca sair do mesmo lugar mas me dizer romântica. Eu não sou romântica, eu sou burra. Medrosa. Só isso.
As coisas que eu amo são como uma borboleta que eu acho tão linda, tão linda, tão linda que quero engolir as asas e apertar contra o peito e lamber as cores e pegar carona com meu peso e tudo acaba sem ar, sem voo, sem cor, sem ser borboleta."

Thursday, June 28, 2012

49

flashback, déja-vù ou qualquer
outra palavras em língua estrageira
que queira usar para descrever
esse sentimento

foi complicado hoje de madrugada
todos os sonhos contigo
foi complicado hoje de manhã
quando acordei semtigo
foi realístico, nostálgico
parecia que você estava ali

senti teu cheiro no meu quarto
relembrei teus fios de cabelo na cama
e tuas mãos na minha perna

eu sinto a tua falta.

Wednesday, June 27, 2012


"sabendo
que assim dizendo
— poema —
estava te matando
mesmo assim
te disse

sabendo
que assim fazendo
você estava durando
foi duro
mesmo assim
te trouxe

mesmo assim
te fiz
mesmo sabendo que ias
fugaz
ser infeliz
sempre infeliz

mesmo assim
te quis
mesmo sabendo
que ia te querer
ficar querendo
e pedir bis"

Tuesday, June 26, 2012

48

mas meu bem,
a verdade
na verdade
é simples:
uma falta
cura
a outra.

Saturday, June 23, 2012

47

senti vontade de escrever
sobre nossa noite, mas
não me permiti,
melhor assim.

então vim escrever,
sobre não escrever,
para você.

mas agora,
no final, percebi
que mesmo assim
escrevi.

seilá, cara
seilá.

Monday, June 18, 2012

46

Até que um dia você acorda em uma segunda-feira de outono cinza, fria e chuvosa
E percebe que não gosta nem um pouquinho mais de nenhuma das duas
Nem da menina,
Nem da mulher.
E que, na verdade, a mulher tem tido muitas atitudes de menina
E a menina alguns outros gestos bem dignos de mulher.
Mas você não quer mais nenhuma das duas, com as inacabáveis
Merdas que só quando convive-se entende-se
O porquê de sentir-se de saco cheio delas.
Você acorda e percebe que é única coisa que quer é distância.
E que você se quer, plena.
E que elas na verdade, são um misto de menina-mulher
Que não sabem,
O que querem;
Quem querem;
Para aonde vão.

E que você, sabe. Eu sei.
Quero paz.
Quero eu mesma.
Vou para a Holanda.

'tô fugindo de tudo, da cidade, da faculdade, dos meus amores fracassados. Cansei.
I surrender.

Adeus,
Adeus.

Sunday, June 10, 2012

45

Penso no amanhã mais do que deveria, do que gostaria.
Às vezes penso que me achas descaso, e assim me trata de igual para igual.
Às vezes penso que me entendes, e por isso acredita que o acaso incerto é melhor.
Me perco em nosso labirinto de possibilidades, correndo angustiada e esbaforida entre essas paredes altas e escuras que tocam esse céu enuviado, escuro e traiçoeiro.
Nossas paredes. Ela ecoam.
Ecoam, ecoam.
Eu consigo ver a olhos nus as ondas de som, repetindo-se num bate rebate entre corredores.
Entre olhares. E sorrisos.
E mãos. E minha obsessão por mãos.
Os dedos mexendo-se, fazendo mini-carinhos, contemplando milímetros de pele.
Mas eu deixo isso para outro texto que não esse.
Esse é sobre labirinto e paredes. Não a intimidade das mãos.
Mãos ãos ãos. Tudo ecoa.
A chuva lá fora (novidade), ecoa.
Nosso (des)caso bate e rebate nas paredes do meu quarto, ricocheteia para todos os lados e automaticamente me lembra você, me traz você, a meia-luz.
"De moletom, com aquelas pernas brancas e lindas, indo para algum lugar, com aquele cabelo bagunçado... "

Saturday, June 09, 2012

44

sobre saudade:
de que me adianta um sentimento
assim, tão bonito,
mas tão desconfortante
se eu não sei mais aonde
te encontrar
em qual esquina dobrar
e me deparar
com teus olhos

o que eu faço
com a saudade agora?
ignoro, finjo que não sinto?
espero-a sumir?
tranco-a dentro de mim
reprimindo-a até,
desaparecer?

o que eu faço
agora?
se definitivamente
não tem mais volta
se o nosso
depois virou nunca

se eu não posso mais
te procurar pra dizer
que sinto saudade
definitivamente
não deveria ter
o porquê de
ainda senti-la.

Friday, June 08, 2012

And if you're,
in love
then you're the
lucky one.

'Cause most of
us are bitter
over someone.


Sunday, June 03, 2012

Mas eu combinei comigo não desistir de mim, meu bem.

Tuesday, May 29, 2012



Ando tão à flor da pele
Que meu desejo se confunde
Com a vontade de não ser

Ando tão à flor da pele
Que a minha pele
Tem o fogo
Do juízo final

Barco sem porto
Sem rumo, sem vela
Cavalo sem sela, bicho solto
Um cão sem dono
Um menino, um bandido

Às vezes me preservo
Noutras, suicido.

Mas aí, daqui uns dias, você vai me ligar. Querendo tomar aquele café de sempre, querendo me esconder como sempre, querendo me amar só enquanto você pode vulgarizar esse amor. Me querendo no escuro. E eu vou topar. Não porque seja uma idiota, não me dê valor ou não tenha nada melhor pra fazer. Apenas porque você me lembra o mistério da vida. Simplesmente porque é assim que a gente faz com a nossa própria existência: não entendemos nada, mas continuamos insistindo.

Sunday, May 27, 2012

Antes de

antes de você chegar
eu ensaio meu oi
arrumo meu casaco
três vezes
cruzo e descruzo
minhas pernas
outras duas
apoio as costas
em alguma coisa
olho pra baixo
e treino indiferença

antes de você chegar
eu observo as luzes
a chuva caindo
as pessoas afobadas
correndo sob seus
guarda-chuvas
aqueles mesmos que
morreram na chacina
eu observo as poças d'água
fazendo plim
cada vez que uma nova gota
junta-se a elas

antes de você chegar
eu olho para todos
os lados possíveis
simultâneamente
pois não sei de qual
você vem
depois fixo em um
decido olhar só para aquele
e mudo de ideia de novo

antes de você chegar
vem eu levantando da cama
milagrosamente sem sono
vem a ansiedade
de um dia inteiro
vem meu bom-humor
vem quatro cigarros
vem muita chuva

antes de você chegar
vem a fumaça do teu cigarro
vem a tua franja linda
vem teu sorriso sempre
sorridente
vem teu olhar que me
mata

já veio tudo isso
e é só
antes de você chegar.

Saturday, May 26, 2012

43

Está sempre chovendo.Todos os dias que saímos estavam chovendo. Chuva me lembra você.
Olhei para meus pés, minhas pernas brilhavam e já se foram quatro cigarros.
Ensaiei na minha cabeça três vezes repetidamente o que algum dia desejarei te falar.Algum dia. Que não hoje, nem amanhã. Mas no futuro. Em algum futuro que se Deus quiser distante, quando eu estiver cansada demais pra me deixar chorar em silêncio por ciúmes, e crie coragem de preferir não te ver do que te ter por pedaços.
Porque és verdadeira. E eu admiro, e gosto disso. Sempre deixasses tudo muito claro sobre teu modo de vida e relacionamentos. Sempre me enquadras nos teus relacionamentos. (lindinha)
Notou que eu enrolei a língua ao dizer aquilo pra ti. Notou como eu jogo minha cabeça pro lado sem querer, involuntariamente. Descobriu como me fazer ficar vermelha e me abraçou quando eu queria ser abraçada.
Fizemos um filme inteiro sobre a chacina dos guarda-chuvas e assistimos um agonizar no meio daquela praça de mendigos. Me sublimou para o lugar teu e me fez esquecer tudo ao nosso redor.
És a que provavelmente, até hoje, me rendeu mais textos. Me deixas inspirada, animada, cheia de vida e amor. E eu te respeito e te respiro. E respeito a tua escolha de modo de vida e respiro teus olhares.
E é isso que me dói. Te entender tanto que não possuo coragem de tentar (ao menos) te fazer só minha.
Não sei quantas vezes já foram, mas foram muitas. E eu disse que só seria uma. Sempre bato nessa mesma tecla, mas é irremediável tentar não lembrar que desde o início eu já sabia como seria. Sabes que eu sempre conheço o chão onde piso.
Contei "um, dois, três, quatro, cinco" em silêncio e teus olhos refletiram nos meus e sorristes. Te perguntei o motivo e me dissesses que me olhar te fazia ficar assim.
Sorri de volta e te dei um beijo entre o canto do lábio direito e a bochecha.
Baixou os olhos e gemeu.
E sorriu, de novo.
Linda.
(como sempre)

Wednesday, May 16, 2012

Observadores
Observa-dores

Tuesday, May 15, 2012

42

prazo de validade, tudo tem prazo de validade, eu sei. mas é que se eu soubesse que iria ir acabando e amornando assim vapt vupt, eu teria desacelerado só pra poder te ter um pouco mais por mais tempo.
mentira. nem ia.

nem ia porque eu sempre tenho que ser rápida e intensa e inconstante.sempre.
e não é que eu goste da agonia, da ansiedade, dos devaneios, e etc. não é que eu goste. é que me faz achar assim, pelo menos que por instantes, que a vida não é essa merda inteira que eu normalmente acho que é.
é que me dá assim, um pontinha de esperança que existe uma luz lá no finalzinho, e daí vejo-me amarrando os fios dos meus cabelos aos fios de otimismo da minha alma. é só isso.
e eu quero que você saiba que eu sei, que eu sempre soube, que isso não daria em nada. que eu nunca tive esperança de nada. nem tenho. e provavelmente nunca terei. mas eu diria que é apenas uma auto-salvação com a ajuda de outra pessoa. estou fazendo isso por mim. não por ti e muito menos por nós. eu precisava acreditar que era possível de novo.

então é isso.
uma auto-salvação que pede um auto-sacrifício. é.

Monday, May 14, 2012

Às vezes te odeio por quase um segundo
Depois te amo mais
Teu pêlos, teu gosto, teu rosto, tudo
Tudo que não me deixa em paz
Quais são as cores e as coisas pra te prender?
Eu tive um sonho ruim e acordei chorando
Por isso te liguei

41


eu guardo todas as datas
e conto os dias
e não te conto
confundo "não" e "sim"
me traio continuamente
na esperança
de ser fiel
a ti
a mim
a nós

Sunday, May 13, 2012

40

ficando perigoso
perigoso porque eu disse
que seria apenas uma vez
e já foram tantas tantas
que perdi a conta

perigoso porque tenho tido
essa vontade incontrolável
de dize-la todas
essas coisas
que nem tenho coragem
de escrever

e aqueles olhos
e mãos
e pernas
e luzes
e estrelas
e...
boys don't cry

Friday, May 04, 2012

39

a tênue linha entre
se importar muito
e não se importar nada

não posso
e isso
só me faz
querer mais

lajotas cinzas
sob meus pés
levantei a saia
longa e burgundy
e vi sapatilhas
beges e sujas
engraçado
concordar o adjetivo,
engraçado

encarei a tela
me peguei
pensando que
eu gosto
do jeito que
as iniciais em
maiúsculo
de teu nome
relacionam-se
entre si

Sunday, April 29, 2012

38




Só um muro de batom
E frases sem fim

Holofotes nos meus olhos 

Cegam mais do que iluminam

Nem caiu a ficha 
E já caiu a ligaçao
Que a chuva caia 
Como uma luva
Um dilúvio
 Um delírio
Que a chuva traga 
Alívio imediato
Que a noite caia 
De repente caia
Tão demente quanto um raio
Que a noite traga 
Alívio imediato


Uma noite bem peculiar de outono. Gelada, mas não exatamente fria. Bem clara, também. 
Do banheiro ou da rua - não soube decifrar - ouvia um barulho ritmado de tun tun tun. Com todas as luzes desligadas, levantei do colhão no chão e perambulei pelos cômodos como uma alma penada.
Falando comigo mesma durante horas, criei diálogos imaginários sentada na varanda sob o sereno da madrugada. Diálogos que jamais existirão, pensando em respostas para perguntas que nunca serão feitas.
O tun tun tun continua.
Sentei-me no chão da sala, sobre o tapete de corda cor palha. Olho pro relógio digital com números verde neon, são três da manhã. Hora do diabo
Uuuu. Liguei a tevê, e como já era esperado a NET não tinha nada para me oferecer além de desenhos animados nos canais infantis, documentários chatíssimos no canais inteligentes, e um soft pornô em todos os outros. Fiquei trocando de canal compulsivamente, esperando que dá próxima vez que eu voltasse para o canal inicial, magicamente estivesse passando algo de meu interesse.
Cambaleei no escuro de volta pra o quarto, arrastando pés e pernas como se pesassem toneladas. 
Deitei-me. Fechei os olhos. 
Não conseguia dormir e não queria permanecer acordada.
Abri os olhos e encarei o escuro. E fiquei ali assim, até amanhecer. Sozinha.

Wednesday, April 18, 2012

Em frente ou enfrente

diga adeus ou não diga nada
diga adeus

não vá perder a hora certa
com a pessoa errada
diga adeus, !adeus!

a vida não pode ser um
contagotas na tua mão

chuva que não chove
sol que não sai
a vida não pode ser medida
com precisão
motor que não se move
nuvem que não se vai

se está com ele está sozinha
e sozinha não quer mais ficar
se está chegando o fim da linha
'tá na hora de saltar

Voltei para a casa chateadíssima com os desencontros do meu dia, e a noite por aqui a essa época do ano já é fria. Eu fiquei no sereno por 40 minutos a esperando, congelando, e embora não queria, fui obrigada a vestir a camisa que estava na minha mochila de uma das exes. Não apareceu, e eu peguei meu ônibus.
Passados dois minutos que saí do centro, meu celular toca, é ela contando que se atrasou mas que estava lá me esperando. Falei que já tinha-me ido, desculpei-me, disse adeus.
No fundo, nem liguei.
Na minha trajetória de volta, vim observando o bairro-mais-feio-mundo até não conseguir mais ver tanta feiura que fui obrigada a voltar-me pro céu de novo.

Me peguei encarando o escuro. Me peguei de olhos fechados tentando me comunicar por telepatia, tentando te mandar energias positivas wherever you were. Tentando te fazer sentir-me e lembrar-me. - Tu é idiota Nathalie, idiota! -
Também sempre pego-me andando na rua procurando-te dentre as pessoas andantes e estressadas da Deodoro, o que na verdade é uma baita de uma ilusão desde que eu nunca te encontrei por acaso pelas esquinas da minha vida. Nunca mesmo!
Acho que talvez o destino não nos ajude, e pra isso deve haver uma explicação. O mesmo palhaço daquele dia me parou hoje, e repetiu as mesmas palavras que confirmasses.
E eu grito teu nome todos os dias desde que te conheci, mas tu não me ouve.

¿ Em frente ou enfrente, señorita ?

Monday, April 09, 2012

37

Te olhei hoje e pensei "eu te escolho pra me tirar da escuridão". O que na verdade é uma pena já que nem conseguistes sair da tua própria ainda. Mas dentre teus sorrisos e olhares, e gestos e beijos, és minha escolhida. Mesmo que seja para uma causa que desde já, é perdida. E eu te quereria em todas as minhas manhãs e não manhãs, e me bastarias.
O que é uma pena também, já que não seria recíproco.
Mas continuo com esse pensamento que todos os meus milésimos de segundos seriam melhores contigo ao meu lado, e quem te fala isso é um coração bem bêbado e sincero. Sempre te dou o tchau mais frio possível, quando na verdade minha vontade é de te trazer pra casa e te encher de beijos e carinhos até dormires.
Minha promessa de não passar de uma vez foi quebrada, e pelo modo ocorrido na segunda e terceira, sei que ainda haverá a quarta, a quinta e assim sucessivamente. Sei que não ficaremos em paz até termos o que queremos. (me questiono sobre o que é)
Por final, posso dizer que eu cuidaria de ti, mesmo que nem saiba cuidar de mim mesma direito. Seria bom te amar pela manhã.

Wednesday, April 04, 2012

36


Nos meus piores pesadelos, eu grito e minha voz não sai.

Mas eu tenho medo mesmo é de de não ter medo quando deveria e de ter medo quando não precisa.
Talvez meu maior medo na vida seja não corresponder às circunstâncias, à (dita) realidade.

Sunday, April 01, 2012

35

meu quarto
amarelo e violeta
com listras de luz
que entram
por dentre
as persianas

meu olhos
vermelhos e azuis
com lágrimas de sal
que caem
por volta
do meu nariz

minhas mãos
brancas e frias
suadas de ansidade
e devaneios
de uma mente
perturbada que cria
situações impossíveis

comecei a fazer
mais uma
tempestade
azul marinho e preta
em copo d'água
sem motivo
sem explicação,
que saudade
do drama
do caos

auto-destrutiva
ou só
destrutiva
tanto faz

tenho pena
de quem
sem querer
cruza comigo
em uma dessas
tardes de outono
e cai na besteira
de dizer
oi.

so now im feeling alright
cause nothing feels like
when you're holdin' on

Wednesday, March 28, 2012

34

te escrevo, e escrevo pra reler
algum dia
gostei do teu sorriso
e olhar
de te conhecer
do teu corte de cabelo
e dele bagunçado
dos idiomas misturados
mas não posso
deixar passar de
um dia

te evitarei
ou encontrarei
em tardes
de domingo
de sol e calor
ou sol e frio

eu gosto das tuas
cores, mulher
e dessa vez é mulher
não menina

não sei
lidar
não sei
te chamar
não posso
te querer

então te escrevo
para nunca saberes
que é pra ti
mas saiba que
foi o mesmo que senti
da primeira vez
com as outras duas

e é por isso
que vou-me
e não deixo passar
de um dia
seria bom te amar
pela manhã.

“Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas
e não se cumpriram.
Porque sofremos tanto por amor?

O certo seria a gente não sofrer,
apenas agradecer por termos conhecido
uma pessoa tão bacana, que gerou
em nós um sentimento intenso
e que nos fez companhia por um tempo razoável,
um tempo feliz.
Sofremos porque?

Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer
pelas nossas projecções irrealizadas,
por todas as cidades que gostaríamos
de ter conhecido ao lado do nosso amor
e não conhecemos,
por todos os filhos que
gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,
por todos os shows e livros e silêncios
que gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados,
pela eternidade.
[...] Como aliviar a dor do que não foi vivido?

A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!

A cada dia que vivo,
mais me convenço de que o
desperdício da vida
está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca,
e que, esquivando-se do sofrimento,
perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional."

Monday, March 19, 2012

33

e às vezes
nessas tardes
quentes e frias
eu deixo,
sentir
eu deixo,
doer
mas só um pouco,
pra não querer
mas só um pouco,
pra não esquecer

Wednesday, March 14, 2012

a gente sentou e riu
e riu bastante, de chorar
tomamos algumas cervejas
e era como se fossemos amigas
há muito tempo
falamos mal
de todos que gosta
pois desgostamos igualmente
coincidentemente

tuas verdades mentiras
mais mentiras do que verdades
desvendamos também
o céu estava bonito
depois,
encontramos a loira
e o kim
"que aleatória essa vida"

Friday, March 09, 2012

sentei e respirei
para esperar passar
mas esqueci de levantar
e de lavar as mãos
e do teu rosto
e de te ligar
acabou a bateria
eu tenho a minha vida
tens a tua
continuo aqui
no mesmo lugar
nem tens meu número
nem eu tenho meu número
na verdade
acho que
nem vou me ligar mais
mas neste lugar
o céu é amarelo
e não azul
então veja bem
não mais me veja
não mais veja me
veja me
não
mais por um segundo, só.

Mas não seria natural.
Natural é as pessoas se encontrarem e se perderem.
Natural é encontrar. Natural é perder.
Linhas paralelas se encontram no infinito.
O infinito não acaba. O infinito é nunca.
Ou sempre.

Tuesday, February 21, 2012

Te esperando depois do carnaval

and so I
quit the idea
of calling you
and I
threw my cell phone
away
and sat all the fucking
afternoon
in my bed
with the sun
shining out there
with my
eyes wide open
boiling under a forty
deegres summer
wishing a little
(1) or (2)
on the left top
of my
monitor
and I stayed
here waiting you appear
after all
these carnival days
and come after me
to say
just
hi
at least
again.

Monday, February 20, 2012

31



"Seu vestido estampado
Dei a quem pudesse servir
Agora que eu não posso mais caber em ti
Não quero te ver, dizem que você não quer mais me olhar
Como velhos desconhecidos se você não me escuta eu não vou te chamar
O amor que eu dei não foi o mesmo que eu vi acabar
O amor só mudou de cor, agora já ta desbotado
Corra lá vem à tristeza atirando pra todos os lados
Pegue o vestido estampado, guarde pro carnaval
Guarde que eu nunca te quis mal
Até o feriado quarta feira de cinzas e ta tudo acabado"

Sempre reclamei pra mãe o porquê de ela ter me dado tantos valores. Pessoas sem valores são mais felizes, não ficam super reagindo e/ou pensando sobre as coisas.
Pessoas sem valores não deixam de falar o que pensam, por aparências e educação. Se eu fosse uma delas (e Deus sabe como gostaria de) agora eu estaria entupida de fluoxetina e álcool.
Mas ao contrário, estou sentada no escuro sentindo tantos sentimentos sem nome no meio de uma madrugada de domingo de carnaval.
Carnaval. Quatro dias de felicidades. Quatro: eu com ela, eu sem ela, nós por cima, nós por baixo. Nós quatro.
Talvez porque a felicidade seja grande e a sinceridade pequena, e todo mundo é tão feliz e eu sinto essa obrigação de ser feliz com todos eles, mas eu não sou e me sinto sufocada no meio disso e. Porque eu sempre fui muito estranha pra tudo isso, muito estranha pra manter amizades, muito estranha pra me encaixar, muito estranha pra achar que receber tantos elogios de gente que não me conhece é legal, porque não é!
Parem!! Parem de me chamar de linda, parem de me elogiar PAREM DE SER ASSIM. PAREM.
Quarta-feira de cinzas, chegue logo! Não aguento mais tanto colorido pra tanto lado, e sinceramente todos nós sabemos que a onda do color block já passou e o lance do inverno vai ser o monocromatismo.
Então que acabe. O verão, fevereiro, minhas maquiagens. Que a água da piscina fiquei bem da gelada e suja, com folhas no fundo e objetos flutuando.
(quem sabe um corpo boiando)
(quem sabe ainda ele seja meu)
No meio do meu peito teria um bilhete escrito em sangue. Ele começaria assim: For you my heart, my lungs, my liver and my entire soul with lots of love, sweetie.

Sunday, February 19, 2012

Are you always sad? (Someone asked)
(Always is such a long, long time)
I couldn't say, but.
Is sadness was a sea, I'd drown in it.
(Salty and warm, sadness is.)
(Cold, too. Sometimes.)
And I happen to love the sea.


Sunday, February 05, 2012

A legião estrangeira

"Devagar fui me reclinando no espaldar da cadeira, sua inveja que desnudava minha pobreza, e deixava minha pobreza pensativa; não estivesse ali, e ela roubava minha pobreza também; ela queria tudo. Depois que o tremor da cobiça passou, o escuro dos olhos sofreu todo: não era somente a um rosto sem cobertura que eu a expunha, agora eu a expusera ao melhor do mundo: a um pinto. Sem me verem, seus olhos quentes me fitavam numa abstração intensa que se punha em íntimo contato com minha intimidade. Alguma coisa acontecia que eu não conseguia entender a olho nu. E de novo o desejo voltou.
Dessa vez os olhos se angustiaram como se nada pudessem fazer com o resto do corpo que se desprendia independente. E mais se alargavam, espantados com o esforço físico da decomposição que dentro dela se fazia. A boca delicada ficou um pouco infantil, de um roxo pisado. Olhou para o teto - as olheiras davam-lhe um ar de marítimo supremo. Sem me mexer, eu a olhava.
(...)
Nela a grande pergunta me envolvia: vale a pena? Não sei, disse-lhe minha quietude cada vez maior, mas é assim. Ali, diante de meu silêncio, ela estava se dando ao processo, e se me perguntava a grande pergunta, tinha que ficar sem resposta. Tinha que se dar - por nada. Teria que ser. E por nada. Ela se agarrava em si, não querendo. Mas eu esperava. Eu sabia que nós somos aquilo que tem de acontecer.
Eu só podia servir-lhe a ela de silêncio. E, deslumbrada de desentendimento, ouvia bater dentro de mim um coração que não era o meu. Diante de meus olhos fascinados, ali diante de mim, como um ectoplasma,ela estava se transformando em criança.
Não sem dor.Em silêncio eu via a dor de sua alegria difícil.
A lenta cólica de um caracol. Ela passou devagar a língua pelos lábios finos. (Me ajuda, disse seu corpo na bipatirção penosa. Estou ajudando, respondeu minha imobilidade.) A agonia lenta.
(...)
Mas ela sofria. Com alguma vergonha notei afinal que estava me vigiando. A outra sofria, fingia, olhava para o teto. A boca, as olheiras.
(...)
- Eu...? perguntou sonsa.
- Mas só se você quiser.
Sei que deveria ter mandado, para não expô-la à humilhação de querer tanto. Sei que não lhe deveria ter dado a escolha, e então teria a desculpa de que fora obrigada a obedecer. Mas naquele momento não era por vingança que eu lhe dava o tormento da liberdade. É que aquele passo, também aquele passo ela deveria dar sozinha. Sozinha e agora. Ela é que teria de ir à montanha. Por que - confundia-me eu - por que estou tentando soprar minha vida na sua boca roxa? por que estou lhe dando respiração? como ouso respirar dentro dela, se eu mesma... - somente para que ela ande, estou lhe dando os passos penosos? sopro-lhe minha vida só para que um dia, exausta, ela por um instante sinta como se a montanha tivesse caminhado até ela?
Teria eu o direito. Mas não tinha escolha. Era uma emergência como se os lábios da menina estivessem cada vez mais roxos.
(...)
A uma distância infinita eu via o chão. Ofélia, tentei eu inutilmente atingir à distância o coração da menina calada. Oh, não se assuste muito! às vezes a gente mata por amor, mas juro que um dia a gente esquece, juro! a gente não ama bem, ouça, repeti como se pudesse alcançá-la antes que, desistindo de servir ao verdadeiro, ela fosse altivamente servir ao nada. Eu que não me lembrara de avisar que sem o medo havia o mundo. Mas juro que isso é a respiração. Eu estava muito cansada, sentei-meno banco da cozinha.
Onde agora estou, batendo devagar o bolo de amanhã. Sentada, como se durante todos esses anos eu tivesse com paciência esperado na cozinha."