"In three words I can sum up everything I have learned about life: it goes on."


Monday, August 22, 2011

10

"Só que aí eu acabei mudando, e foi mudança aos poucos, porque até hoje me dou conta de coisas minhas que já não estão mais lá e quem roubou, eu jamais vou saber. O sorriso mudou e a vontade de sorrir pra qualquer pessoa também, graças a Deus. Foi por sorrir tanto de graça que eu paguei tão caro por todas as coisas que me aconteceram.
Às vezes me pego olhando ao meu redor e vendo tanta menina parecida comigo. Tanto sentimento gritando de bocas caladas e escorrendo de peles secas. Tanta coisa acontece com a gente. Tanta gente passa pela gente, mas tão pouca gente realmente fica. E eu sei que, talvez, eu tivesse que ficar triste. Talvez eu tivesse que continuar secando lágrimas, abraçando o vendo e rindo no vácuo, mas o fato é que eu não consigo. Eu não consigo mais ser triste só pra mostrar que um dia eu fui - ou achei que tivesse sido - feliz.
Aprendi com os meus próprios erros que sofrer não torna mais poético, chorar não deixa mais aliviado e implorar não traz ninguém de volta. Aprendi também que por mais que você queira muito alguém, ninguém vale tanto a pena a ponto de você deixar de se querer.
Eu que gritei pra tantas pessoas ficarem hoje só quero mesmo é que elas sumam de uma vez por todas. E em silêncio, que é pra ninguém ter porque se lamentar."

Tuesday, August 09, 2011

Estranho como todo o nosso futuro estava dentro daquele pretérito ao mesmo tempo que todo nosso pretérito foi projetado no futuro.

Monday, August 08, 2011

... ou não.

Talvez não caiba a mim encontrar o paradeiro do romance perdido. É que ele não me escapou pelos dedos desatentos, não está ao relento entre o meio-fio e os carros, não se esvaiu junto às memórias de uma madrugada ébria. Me corrói as entranhas cogitar a hipótese de que talvez jamais tenha, de fato, existido aquilo que tenho procurado. Me perfura os pulmões a constatação daquelas coisas que, mesmo quando assumidamente prováveis e esperadas, eu – ingenuamente – negava até o fim que pudessem acontecer:

As piores verdades são aquelas que parecem mentira.

Mas então o que é a verdade, se não tudo aquilo em que acreditamos com todas as nossas forças, até o fatídico momento em que não cremos mais? As verdades mudam, e as tuas o fazem numa velocidade que acredito que ninguém seja capaz de acompanhar. Justamente, por medo disso, tratei de despir meus sentimentos de poesia. No entanto, as nossas situações, mesmo nuas de significado, mesmo ceticamente analisadas com a frieza de um cirurgião, teimavam em rabiscar sorrisos na minha cara. Sorrisos que não saíam em água corrente. Mesmo assim, tenho vivido ao pé da letra o ‘dia-após-o-outro’, jamais adornando os dias com os meus costumeiros exageros que conheço bem. É difícil manter os pés no chão enquanto a mente voa.

Talvez o que me compete seja justamente diagnosticar a completa inexistência do romance, ou constatar que trata-se de um bobo conceito hipotético. Uma ideia que nos inspira, que nos motiva, que nos estufa o peito através de um brusco sopro do mais puro nada. Uma isca que nós, mesmo após fisgados sucessivas vezes, seguimos mordendo, constantemente e com convicção. E eu mordi mil vezes e vou morder outras duas mil, justamente por acreditar na ínfima chance de – somente por uma vez – aquilo tudo não ser uma mentira.

As piores mentiras são aquelas que parecem verdade.

Saturday, August 06, 2011

Para brincar de quebra-cabeça


(preguiça de procurar o arquivo pra deletar a camada com as informações da instituição)

07

As pessoas não são confiáveis. Cliché, eu sei. Mas sabe, eu sempre disse e agora reforço que os clichés existem por algum motivo. A cada dia que se vai, noto como voltei pro meu escuro-vazio-melancólico de que ninguém presta, o mundo é sujo, e é isso aí mesmo.
Porque confiamos nas pessoas, aliás? Porque se expor de tal forma, ficar vulnerável de tal jeito? Para todos lados que olho vejo pessoas se doando para outras pessoas, que se doam para outra e para outras e... circulo vicioso. No final tu é uma idiota, com a vida completamente exposta e sentimentos ao avesso.
O que exatamente nos faz não nos bastarmos a nós mesmos? Fechar-se pode nem sempre ser a melhor solução, mas ultimamente abrir-se parece ser ideia pior ainda.
Afinal, se é pra confiar em alguém que seja em mim mesma.
E respondendo a pergunta que fiz anteontem:

Como proceder quando tudo aquilo que você achava que há muito tempo já tinha sido digerido pelo estômago, volta, e com tudo para a garganta?

Se procede engolindo esse vômito inteiro pra dentro de novo, e sem fazer cara feia.
Decidi que vou me auto-namorar, tenho todas as qualidades que eu procuro em alguém e me conheço bem o suficiente pra saber o que posso esperar de mim. E ainda vou acertar no presente.