"In three words I can sum up everything I have learned about life: it goes on."


Thursday, January 27, 2011

Sobre níveis de tristeza

Hoje eu vou falar sobre a tristeza de não-conhecer-mais-o-que-antes-você-conhecia-tão-bem.

Você passa um bom tempo com certa pessoa, nesse meio tempo, a cumplicidade, o toque é recíproco. Vocês se completam, e isso é lindo. Mas, por algum motivo - e Deus sabe que existem motivos nesse mundo para fazer casais terminarem - vocês se separam.

Depois de um certo tempo, tempo esse normalmente muito comprido, vocês voltam a se reecontrar. Todo aquele afeto e carinho e amor e lembranças vêm à tona. Algo acontece e de repente, não é mais a mesma coisa do que antes.

Acho poucas coisas tão tristes de uma forma que eu nem tenho palavras para expressar quanto isso, o toque dela mudou, o beijo também. É como se muitas outras pessoas tivessem passado por ali - e realmente passaram - e a tivessem mudado.
Mas o ponto principal aqui não é o beijo. É muito além disso, ou pelo contrário, é tudo que envolve isso. Não posso evitar de, quando isso acontece, pensar em tudo que eu perdi, tudo que eu agora desconheço sobre ela. Tudo que mudou, tudo que a fez mudar. E tudo que eu mudei também, e tudo que me fez mudar, e todas as razões desconhecidas que me fizeram mudar, e as razões que eu desconheço que a fizeram mudar.

São muitas novas cores, para as mesmas duas pessoas. Muitas. E eu 'tô perdida no meio dessa aquarela.

"Você disse “Oi”; eu respondi.

Você não tinha mais cigarros; eu ofereci.

Você queria andar; corremos.

Você queria beijar; eu também.

(...)

Eu disse “Oi”; você disse “Adeus”

Eu tenho tantos cigarros; você nem fuma mais."

Tuesday, January 04, 2011

CFA

Eu entro nesse barco, é só me pedir. Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou. Faz tempo que quero ingressar nessa viagem, mas pra isso preciso saber se você vai também. Porque sozinha, não vou. Não tem como remar sozinha, eu ficaria girando em torno de mim mesma. Mas olha, eu só entro nesse barco se você prometer remar também! Eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes. Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia. Mas você tem que prometer que vai remar também, com vontade! Eu começo a ler sobre política, futebol, ficção científica. Aprendo a pescar, se precisar. Mas você tem que remar também. Eu desisto fácil, você sabe. E talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só me pedir. Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia. Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo. Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças! Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. Que por nós vale a pena. Remar. Re-amar. Amar.

Caio Fernando Abreu