"In three words I can sum up everything I have learned about life: it goes on."


Thursday, December 30, 2010

Sem ana, blues

QUANDO Ana me deixou – essa frase ficou na minha cabeça, de dois jeitos – e depois que Ana me deixou. Sei que não é exatamente uma frase, só um começo de frase, mas foi o que ficou na minha cabeça. Eu pensava assim: quando Ana me deixou – e essa não-continuação era a única espécie de não continuação que vinha. Entre aquele quando e aquele depois, não havia nada mais na minha cabeça nem na minha vida além do espaço em branco deixado pela ausência de Ana, embora eu pudesse preenchê-lo – esse espaço branco sem Ana – de muitas formas, tantas quantas quisesse, com palavras ou ações. Ou não-palavras e não-ações, porque o silêncio e a imobilidade foram dois dos jeitos menos dolorosos que encontrei, naquele tempo, para ocupar meus dias, meu apartamento, minha cama, meus passeios, meus jantares, meus pensamentos, minhas trepadas e todas essas outras coisas que formam uma vida com ou sem alguém como Ana dentro dela.

Quando Ana me deixou, eu fiquei muito tempo parado na sala do apartamento, cerca de oito horas da noite, com o bilhete dela nas mãos. No horário de verão, pela janela aberta da sala, à luz das oito horas da noite podiam-se ainda ver uns restos dourados e vermelho deixados pelo sol atrás dos edifícios, nos lados de Pinheiros. Eu fiquei muito tempo parado no meio da sala do apartamento, o último bilhete de Ana nas mãos, olhando pela janela os dourados e o vermelho do céu. E lembro que pensei agora o telefone vai tocar, e o telefone não tocou, e depois de algum tempo em que o telefone não tocou, e podia ser Lucinha da agência ou Paulo do cineclube ou Nelson de Paris ou minha mãe do Sul, convidando para jantar, para cheirar pó, para ver Nastassia Kinski nua, pergunrando que tempo fazia ou qualquer coisa assim, então pensei agora a campainha vai tocar. Podia ser o porteiro entregando alguma dessas criancinhas meio monstros de edifício, que adoram apertar as campainhas alheias, depois sair correndo. Ou simples engano, podia ser. Mas a campainha também não tocou, e eu continuei por muito tempo sem salvação parado ali no centro da sala que começava a ficar azulada pela noite, feito o interior de um aquário, o bilhete de Ana nas mãos, sem fazer absolutamente nada além de respirar.

Depois que Ana me deixou – não naquele momento exato em que estou ali parado, porque aquele momento exato é o momento-quando, não o momento-depois, e no momento-quando não acontece nada dentro dele, somente a ausência da Ana, igual a uma bolha de sabão redonda, luminosa, suspensa no ar, bem no centro da sala do apartamento, e dentro dessa bolha é que estou parado também, suspenso também, mas não luminoso, ao contrário, opaco, fosco, sem brilho e ainda vestido com um dos ternos que uso para trabalhar, apenas o nó da gravata levemente afrouxado, porque é começo de verão e o suor que escorre pelo meu corpo começa a molhar as mãos e a dissolver a tinta das letras no bilhete de Ana – depois que Ana me deixou, como ia dizendo, dei para beber, como é de praxe.

De todos aqueles dias seguintes, só guardei três gostos na boca – de vodca, de lágrima e de café. O de vodca, sem água nem limão ou suco de laranja, vodca pura, transparente, meio viscosa, durante as noites em que chegava em casa e, sem Ana, sentava no sofá para beber no último copo de cristal que sobrara de uma briga. O gosto de lágrimas chegava nas madrugadas, quando conseguia me arrastar da sala para o quarto e me jogava na cama grande, sem Ana, cujos lençóis não troquei durante muito tempo porque ainda guardavam o cheiro dela, e então me batia e gemia arranhando as paredes com as unhas, abraçava os travesseiros como se fossem o corpo dela, e chorava e chorava e chorava até dormir sonos de pedra sem sonhos. O gosto de café sem açúcar acompanhava manhãs de ressaca e tardes na agência, entre textos de publicidade e sustos a cada vez que o telefone tocava. Porque no meio dos restos dos gostos de vodca, lágrima e café, entre as pontadas na cabeça, o nojo da boca do estômago e os olhos inchados, principalmente às sextas-feiras, pouco antes de desabarem sobre mim aqueles sábados e domingos nunca mais com Ana, vinha a certeza de que, de repente, bem normal, alguém diria telefone-para-você e do outro lado da linha aquela voz conhecida diria sinto-falta-quero-voltar. Isso nunca aconteceu.

O que começou a acontecer, no meio daquele ciclo do gosto de vodca, lágrima e café, foi mesmo o gosto de vômito na minha boca. Porque no meio daquele momento entre a vodca e a lágrima, em que me arrastava da sala para o quarto, acontecia às vezes de o pequeno corredor do apartamento parecer enorme como o de um transatlântico em plena tempestade. Entre a sala e o quarto, em plena tempestade, oscilando no interior do transatlântico, eu não conseguia evitar de parar à porta do banheiro, no pequeno corredor que parecia enorme. Eu me ajoelhava com cuidado no chão, me abraçava na privada de louça amarela com muito cuidado, com tanto cuidado como se abraçasse o corpo ainda presente de Ana, guardava prudente no bolso os óculos redondos de armação vermelhinha, enfiava devagar a ponta do dedo indicador cada vez mais fundo na garganta, até que quase toda a vodca, junto com uns restos de sanduíches que comera durante o dia, porque não conseguia engolir quase mais nada, naqueles dias, e o gosto dos muitos cigarros se derramassem misturados pela boca dentro do vaso de louça amarela que não era o corpo de Ana. Vomitava e vomitava de madrugada, abandonado no meio do deserto como um santo que Deus largou em plena penitência – e só sabia perguntar por que, por que, por que, meu Deus, me abandonaste? Nunca ouvi a resposta.

Um pouco depois desses dias que não consigo recordar direito – nem como foram, nem quantos foram, porque deles só ficou aquele gosto de vômito, misturados, no final daquela fase, ao gosto das pizzas, que costumava perdir por telefone, principalmente nos fins-de-semana, e que amanheciam abandonadas na mesa da sala aos sábados, domingos e segundas, entre cinzeiros cheios e guardanapos onde eu não conseguia decifrar as frases que escrevera na noite anterior, e provavelmente diziam banalidades, como volta-para-mim-Ana ou eu-não-consigo-viver-sem-você, palavras meio derretidas pelas manchas do vinho, pela gordura das pizzas -, depois daqueles dias começou o tempo em que eu queria matar Ana dentro de tudo aquilo que era eu, e que incluía aquela cama, aquele quarto, aquela sala, aquela mesa, aquele apartamento, aquela vida que tinha se tornado a minha depois que Ana me deixou.

Mandei para a lavanderia os lençóis verde-clarinhos que ainda guardavam o cheiro de Ana – e seria cruel demais para mim lembrar agora que cheiro era esse, aquele, bem na curva onde o pescoço se transforma em ombro, um lugar onde o cheiro de nenhuma pessoa é igual ao cheiro de outra pessoa -, mudei os móveis de lugar, comprei um Kutka e um Gregório, um forno microondas, fitas de vídeo, duas dúzias de copos de cristal, e comecei a trazer outras mulheres para casa. Mulheres que não eram Ana, mulheres que jamais poderiam ser Ana, mulheres que não tinham nem teriam nada a ver com Ana. Se Ana tinha os seios pequenos e duros, eu as escolhia pelos seios grandes e moles, se Ana tinha os cabelos quase louros, eu as trazia de cabelos pretos, se Ana tivesse a voz rouca eu a selecionava pelas vozes estridentes que gemiam coisas vulgares quando estávamos trepando, bem diversas das que Ana dizia ou não dizia, ela nunca dizia nada além de amor-amor ou meu-menino-querido, passando dos dedos da mão direita na minha nuca e os dedos da mão esquerda pelas minhas costas. Vieram Gina, a das calcinhas pretas, e Lilian, a dos olhos verdes frios, e Beth, das coxas grossas e pés gelados, e Marilene, que fumava demais e tinha um filho, e Mariko, a nissei que queria ser loura, e também Marta, Luiza, Creuza, Júlia, Débora, Vivian, Paula, Teresa, Luciana, Solange, Maristela, Adriana, Vera, Silvia, Neusa, Denise, Karina, Cristina, Marcia, Nadir, Aline e mais de 15 Marias, e uma por uma das garotas ousadas da Rua Augusta, com suas botinhas brancas e minissaia de couro, e destas moças que anunciam especialidades nos jornais. Eu acho que já vim aqui uma vez, alguma dizia, e eu falava não lembro, pode ser, esperando que tirasse a roupa enquanto eu bebia um pouco mais para depois tentar entrar nela, mas meu pau quase nunca obedecia, então eu afundava a cabeça nos seus peitos e choramingava babando sabe, depois que Ana me deixou eu nunca mais, e mesmo quando meu pau finalmente endurecia, depois que eu conseguia gozar seco ardido dentro dela, me enxugar com alguma toalha e expulsá-la com um cheque cinco estrelas, sem cruzar ¿ então eu me jogava de bruços na cama e pedia perdão à Ana por traí-la assim, com aquelas vagabundas. Trair Ana, que me abandonara, doía mais que ela ter me abandonado, sem se importar que eu naufragasse toda noite no enorme corredor de transatlântico daquele apartamento em plena tempestade, sem salva-vidas.

Depois que Ana me deixou, muitos meses depois, veio o ciclo das anunciações, do I Ching, dos búzios, cartas de Tarot, pêndulos, vidências, números e axés ¿ ela volta, garantiam, mas ela não voltava – e veio então o ciclo das terapias de grupo, dos psicodramas, dos sonhos junguianos, workshops transacionais, e veio ainda o ciclo da humildade, com promessas à Santo Antônio, velas de sete dias, novenas de Santa Rita, donativos para as pobres criancinhas e velhinhos desamparados, e veio depois o ciclo do novo corte de cabelos, da outra armação para os óculos, guarda-roupa mais jovem, Zoomp, Mister Wonderful, musculação, alongamento, yoga, natação, tai-chi, halteres, cooper, e fui ficando tão bonito e renovado e superado e liberado e esquecido dos tempos em que Ana ainda não tinha me deixado que permiti, então, que viesse também o ciclo dos fins de semana em Búzios, Guarajá ou Monte Verde e de repente quem sabe Carla, mulher de Vicente, tão compreensiva e madura, inesperadamente, Mariana, irmã de Vicente, transponível e natural em seu fio dental metálico, por que não, afinal, o próprio Vicente, tão solícito na maneira como colocava pedras de gelo no meu escocês ou batia outra generosa carreira sobre a pedra de ágata, encostando levemente sua musculosa coxa queimada de sol e o windsurf na minha musculosa coxa também queimada de sol e windsurf. Passou-se tanto tempo depois que Ana me deixou, e eu sobrevivi, que o mundo foi se tornando ao poucos um enorme leque escancarado de mil possibilidades além de Ana. Ah esse mundo de agora, assim tão cheio de mulheres e homens lindos e sedutores interessantes e interessados em mim, que aprendi o jeito de também ser lindo, depois de todos os exercícios para esquecer Ana, e também posso ser sedutor com aquele charme todo especial de homem-quase-maduro-que-já-foi-marcado-por-um-grande-amor-perdido, embora tenha a delicadeza de jamais tocar no assunto. Porque nunca contei à ninguém de Ana. Nunca ninguém soube de Ana em minha vida. Nunca dividi Ana com ninguém. Nunca ninguém jamais soube de tudo isso ou aquilo que aconteceu quando e depois que Ana me deixou.

Por todas essas coisas, talvez, é que nestas noites de hoje, tanto tempo depois, quando chego do trabalho por volta das oito horas da noite e, no horário de verão, pela janela da sala do apartamento ainda é possível ver restos de dourados e vermelhos por trás dos edifícios de Pinheiros, enquanto recolho os inúmeros recados, convites e propostas da secretária eletrônica, sempre tenho a estranha sensação, embora tudo tenha mudado e eu esteja muito bem agora, de que este dia ainda continua o mesmo, como um relógio enguiçado preso no mesmo momento – aquele. Como se quando Ana me deixou não houvesse depois, e eu permanecesse até hoje aqui parado no meio da sala do apartamento que era o nosso, com o último bilhete dela nas mãos. A gravata levemente afrouxada no pescoço, fazia e faz tanto calor que sinto o suor escorrer pelo corpo todo, descer pelo peito, pelos braços, até chegar aos pulsos e escorregar pela palma das mãos que seguram o último bilhete de Ana, dissolvendo a tinta das letras com que ela compôs palavras que se apagam aos poucos, lavadas pelo suor, mas que não consigo esquecer, por mais que o tempo passe e eu, de qualquer jeito e sem Ana, vá em frente. Palavras que dizem coisas duras, secas, simples, arrevogáveis. Que Ana me deixou, que não vai voltar nunca, que é inútil tentar encontrá-la, e finalmente, por mais que eu me debata, que isso é para sempre. Para sempre então, agora, me sinto uma bolha opaca de sabão, suspensa ali no centro da sala do apartamento, à espera de que entre um vento súbito pela janela aberta para levá-la dali, essa bolha estúpida, ou que alguém espete nela um alfinete, para que de repente estoure nesse ar azulado que mais parece o interior de um aquário, e desapareça sem deixar marcas.

(Caio fernando Abreu – Os Dragões Não Conhecem O Paraíso)

Sunday, December 05, 2010

5 dez. 2010


A espuma das ondas era de um azul escuro, e o mar preto, preto. Estava escuro, e tinham apenas alguns postes de luz amarelada. O chão muito molhado da chuva e o cheiro de praia no inverno. Nenhum vento, só maresia...
Eu teria feito qualquer coisa pra mudar a situação, para faze-la menos triste. Mas nada me restava, eu já tinha noção há muitos meses que esse dia chegaria e nada eu poderia fazer.

Sendo assim, a única coisa que me restava era desejar que você fosse feliz. É a única coisa que sempre me resta, na verdade. Sempre.

Monday, November 22, 2010

So long, so long.


Nothing, I feel nothing. Sitting in my bed I am, my window is open wide, and outside there have been raining since I'm awake. The first things that I heard today, when I opened my eyes were the rain noise and sound. It may sound very beautiful, but it was just way, way depressive.

Plus, I've been feeling this headache all day long. No, I've been feeling it since two weeks ago. It means that I'm done complaining about it, or taking pills, or whatever. By now, I can say that I'm used to this pain, it feels like part of me already. But sometimes, not always, but sometimes, it gets worse. And today, when I saw me all alone, in the rain, that pain felt excruciating. So, I stoped for a few minutes, and started thinking about that. I mean, how can you get used to a thing that makes you feel horrible?

I'm done of all this shit.

And from my bed I can admire the light purple curtain dance the music that is repeating for hours ...hand out the window, floatin' on air, just a flip of the wrist and I am wavin' you goodbye.

Sunday, September 19, 2010

Verdades-Mentiras.

Antes eu chorava, tocava e escrevia. Não necessariamente nessa ordem, só sei que esses acontecimentos cíclicos me mantiam na CNTP. Mas eu desaprendi. Desaprendi a afogar meus sentimentos em lágrimas e traduzir sensações em acordes de outrem.
A escrita? Essa ainda me restava, embora eu também não soubesse mais escrever. Ou melhor, não soubesse mais explicar com palavras o que eu vinha sentindo. Talvez porque todos esses sentimentos-pensamentos que rodavam over and over na minha cabeça sejam muito complexos, lembranças de momentos muito especiais. Ou de repente momentos que nunca tenham existido.
É que há muito tempo eu perdi essa noção do real, do tangível. Todas essas situações, essas ruas, esquinas e postos, de alguma forma remetem a lugares imaginários, situações não-reais, de extrema loucura minha e da minha acompanhante. Momentos absurdos, que minha cabeça sonhadora, inventou.
Esquecendo a linha do que é (in)tangível, eu continuo a fantasiar mesmo já sabendo que o final da história termina bem longe daqui: em outro estado. É aí que voltam as dúvidas, não se pode fantasiar algo que já aconteceu na realidade, pode? As piores verdades são aquelas que parecem mentira.

What a shame, at least now I know who you are. Don't you ever think that I'm here, waiting for you to come back, give those smile to me while you are talking about my hair. I don't give a shit for you and all your amazing friends and perfect life, pussy.


As piores mentiras são aquelas que parecem verdade.


- Yeah you sure got a lot of nerve, to say that it was all my fault. I know you called, I got 'em all. la la da da da da

Tuesday, July 27, 2010

Sem motivo.

"That thing. That moment when you kiss someone and everything around you becomes hazy and the only thing in focus is you and this person. And you realize that that person is the only person you're supposed to kiss for the rest of your life. And for one moment you get this amazing gift, and you wanna laugh, and you wanna cry... 'cause you feel so lucky that you found it and so scared that it'll go away all at the same time."

Peter Parker

-

Gostei do texto e esse era um bom lugar para armazená-lo. Só por isso. Tchau.

Monday, May 24, 2010

Gun-fights

Hoje eu vou escrever porque me faz bem.

Estou no futuro daquele tempo, e ainda não entendo como me rendi tão fácil. O verão já se foi e levou com ele tudo que tinhamos - você sabe que estou certa, protelar o inevitável nunca foi meu forte.
De repente o outono chegou, e tudo começou a girar ao redor de ti, dela, de ti novamente. Entre dois mundos fiquei perdida por meses e no meio desse pique-esconde você sumiu - logo quando eu me achei! Só que logo após o jogo terminar, ela sumiu, você sumiu, e eu sumi também (por pura falta de opção). A ordem das estações é clara: verão, outono, inverno - neste instante, aqui no sul, este último já tinha chego... e olha a hora, pra variar! A escuridão da madrugada cheirava a inverno e ambos vocês cheiravam a passado.

Menos viva do que antes mas sem pedaços faltantes, estou eu aqui, wishing you still like me as a friend. Só gostaria que você soubesse que meu casaco do mickey - que sobreviveu aos dois tiroteios - ainda está aqui, intacto. O jogo acabou, mas gostaria de lembrar-lhe que apostei todas as minhas fichas em você e terminei a noite em débito com a mesa. Pra variar



- I love to walk alone across gun-fights, btw.

Saturday, May 01, 2010

Definindo destruir

De nada me adiantam tuas desculpas se as atitudes não mudam. É tudo muito superficial, muito mesquinho. Histórias viradas do avesso, brincadeiras sem fundamento, telefone sem fio.
Ta tudo errado, e ninguém parece notar. O respeito pelo próximo é inexistente, e o amor pelas fofocas tem cada vez mais audiência - eu não quero pontos de ibope na minha vida.
Eu sempre tive pavor de gente especulando sobre mim, tenho horror de imaginar um grupo de pessoas falando sobre a minha pessoa na minha ausência. A ideia de uma conspiração sobre 'não conta pra nath que eu te contei isso dela' me destroi.

Des.tru.ir 1 Arruinar, Demolir. 2 Dar cabo de, fazer desaparecer. 3 Exterminar, matar, estinguir. 4 Assolar, devastar.

Não pense que eu fico arrasada, de chorar, me escabelar, e querer morrer. Não. A ideia (e a certeza) da cena acima citada, extermina o meu amor e a minha compaixão por alguns indivíduos.
Nesse momento você deve estar pensando: - Que pessoa terrível essa, que perde o amor e a compaixão tão facilmente.
Se você quiser achar isso de mim, faça bom proveito. Eu sou orgulhosa, e fechada. Eu não gosto que invadam o meu espaço, que atirem minha vida ao vento.
É só que... eu só sinto compaixão por quem realmente precisa e merece. Não vou ficar gastando meus sentimentos por pessoas que não valem um egg. Minha lágrimas são limitadas.

-

Você acha que o amor é tudo na vida e, de repente, vê que não sabe nadar.

É, você não sabe nadar. E se o avião cair no mar? O amor vai te salvar? Não, a natação vai te salvar. E se você escorregar na piscina? E se o barco afundar? E se um tsunami atingir a tua praia?

Eu tô nadando contra a corrente. (Rodrigo Tavares)

-

Primeiro eles pedem perdão
Depois perdem a paciência e o
Próximo passo
Pequenos pecados
Esquecidos tão depressa quanto feitos

Sempre não e para sempre
Padres não podem prever pecados
É presente o perigo
E somente palavras que não curam
Mas aproximam as mãos

Permitam que o seus filhos
Aprendam a ter compaixão
Ensinem os seus filhos
Ensinem a ter compaixão
Permitam que seus filhos
Aprendam a ter compaixão
Ensinem os seus filhos...compaixão (Nenhum de nós)

Monday, March 29, 2010

A tarde inteira em Standby (could you stand by me?)

Na primeira tarde que eu passei de verdade sem você, eu fiquei no automático, seguindo todos com meus olhos e ouvidos quase não senti sua falta. Quase. Alguma coisa parecia fora do padrão, pois esse silêncio tão profundo não me era conhecido. Creio eu, que é porque o silêncio nosso é diferente de inumeráveis maneiras desse novo que me perseguiu a tarde toda - o silêncio só meu.
Mas não me isolei por falta tua, troquei algumas sílabas aqui e ali, e não me permiti olhar para o lado, vendo sua chará que me fazia inevitavelmente lembrar teu nome. Quem sabe assim, fosse mais fácil. (Ilusão)
Chegando ao fim do dia, me lembrei de nossos abraços e beijos de despedida, sempre tão rápidos como se fossemos repeti-los para sempre. Desci a escada caracol, tremendo com o fio do a/c e me deparando com o tempo feio e chuvoso lá de fora. - Ótimo, pensei. Mas ao ultrapassar as portas de vidro e o mar de pessoas eu te vi. Você foi me ver, me dar oi, beijo e abraço.
Eu imediatamente sai do Standby que me encontrei a tarde inteira e em fraçao de segundos fui para o Rec. Rec, Rec, Rec, a luz vermelha piscando histéricamente. Fiquei tão eufórica que não consegui me conter ou disfarçar a felicidade em te ver, e acho que todos (inclusive você) conseguiram notar como eu desejava te abraçar.
Agora, aqui no meu quarto, eu luto contra as minhas apostilas, buscando um pouco de concentração, mas só consigo me concentrar na lembrança dos poucos segundos que estive contigo há algumas horas atrás.


PS: Teu cabelo ficou lindo curto, amei.

Friday, March 26, 2010

Rainy corner

Da primeira vez que escrevi sobre nós, alguém leu e me contou que dava até pra sentir. Assim, espero que essas frases tenham novamente esse efeito nos meus leitores. E principalmente em você.

Teu sorriso de despedida foi lindo, e teu abraço tão confortante que as lágrimas que antes achei que rolariam nem chegaram a se formar. Só agora é que consigo entender, nós ainda existiremos separados.
Se eu caisse na besteira de sair por aí contando a todos o que eu venho sentindo, alguns achariam graça simultaneamente aos que sofreriam.
Então ficamos assim: sem dores para nenhuma das partes e de última - ou seria primeira? - lembrança o nosso abraço.

PS: Foi duro continuar a tarde sem você, olhando para o espaço vazio que você deixou, e sentindo seu cheiro na minha camisa xadrez. Era como se eu ainda estivesse naquela esquina chuvosa.

Thursday, March 25, 2010

Dismantle.Repair.

Enquanto eu vinha para casa tinha muitas ideias em minha cabeça sobre o que eu iria dizer aqui. Mas ao pegar a caneta e o papel todos os pensamentos sumiram. Eu gostaria de olhar para o seu sorriso (que me faz tão bem) e conjugar o verbo amar no pretérito. Mas seus fios de cabelo ainda estão no meu lenço, e seus olhos tão nítidos na minha memória, que eu não consigo sequer pensar em usar a terminação ei.
Tenho ciúmes de todas essas pessoas que te possuem integralmente, ou até daquelas que sem cerimônias podem te abraçar forte. Ao sentir cheiro de café sempre lembrarei de ti, e a cada gota de chuva sentirei os teus dedos em mim.
Eu me apego fácil, sempre foi assim... E tu entrou na minha vida de forma tão brusca e enérgica que eu não lembro mais como ela era sem você. Acontece que agora você está indo, e a única música que eu consigo ouvir é aquela que diz: four weeks felt like years.

Wednesday, March 24, 2010

Penumbra

Todas as portas e janelas já estão devidamente cerradas há algum tempo;
A penumbra da noite começou a tomar conta de mim;
Perambulo pela casa, o silencio sepulcral estourando meus tímpanos;
Daonde essa luz que engole meu escuro vem?;
Meialuz, acordes falhos, olhos borrados, ar mentolado;
A imagem que não ouso olhar desde janeiro me encarando;
A boca dona dos meus desejos utópicos cuspindo versos sangrentos;
De trás pra frente eu relembro momentos que sequer foram vividos;
Em uma triste e grave melodia eu ouço o som daquele passado;
Aquele que um dia pareceu o tão desejado futuro;
E hoje em dia nem lembranças mais eu possuo:

Eu nunca o quis.



- mas decorei com exatidão, todas as coisas como eu deixei.

Sunday, March 21, 2010

Óculos

Ela tremeu. Exatamente o porquê ninguém sabe explicar. É que de repente todos os padrões foram quebrados e tudo começou a ser visto de uma nova perspectiva. Óculos.
Quando criança, sua cabeça doia. Demais. Até descobrir que precisava usar óculos. Ela os fez. Dizem que a pessoa não sabe como enxerga mal, até descobrir o que é ver bem. Ao sair da loja, ela chorou: descobriu que aquelas bolas verdes tão admiradas antes, na verdade, não existiam. As bolas eram folhas. Ela via bolas ao invés de folhas, e agora... tudo era nítido. Choro de alegria.
É difícil saber quão bom é algo sem experimentar, é como criticar tequila sem nunca ter tomado um porre, ou abominar o cigarro sem nunca ter tragado.
Ela conseguia enxergar as folhas agora. As formas, e as cores. E ela conseguia enxergar ele também, mas ele ainda estava cego. Seu guardachuva preto está esperando, junto com aquele velho par de tênis. Não tem ninguém lá com ela. E se aparecer alguém? Alguém desconhecido, um terceiro indivíduo. Ela vai ou fica? Afinal, ela ainda está ali sozinha... e bem, começou a chover e está ficando cada vez mais forte, sabe como é...

Ela: - Fiquei por ti sim.
Ele: - Aham, mas me abandonou.
Ela: - Nem abandonei, to aqui agora.
Ela: - Continua vindo sempre?
Ele: - Não, ando meio sumido.
Ele: - Mas eu costumava vir sempre que você vinha...

Friday, March 19, 2010

Sobre C e E.

Você disse “Oi”; eu respondi.

Você não tinha mais cigarros; eu ofereci.

Você queria andar; corremos.

Você queria beijar; eu também.

Você tinha medo; eu não.

Você tinha algo; eu não tinha ninguém.

Você me beijou. Você me beijou.

Eu queria beijar; você não sabia mais.

Eu queria correr, você fugiu.

Eu tinha você; você não queria nada.

Eu disse “Oi”; você disse “Adeus”.

Eu tenho tantos cigarros; você nem fuma mais.

Queria que você ligasse; você não ligou.

Queria que você falasse; você se calou.

Queria que o tempo passasse; você voou.

março 4, 2010 por foradaminhatv

http://foradaminhatv.wordpress.com/



Wednesday, March 03, 2010

Frozen rain

E até o tempo parece estar sincronizado com as minhas ânsias: our most wanted frozen rain started early today.







Don't pretend that you care, don't you ever wonder about how I'm weird. I'm enjoyng the rain.

Estreitos corredores

Estreitos corredores esses nos quais os pensamentos teimam em correr. Muito estreitos... e traiçoeiros, preparando armadilhas a cada esquina, tentando fazer você se perder dentro da sua própria cabeça.Quão ridículo, quão irônico. A ironia é deprimente, desgastante. Como ácido corroi a pele, como a chuva apaga o fogo.
Mas é que na verdade as chamas dançavam alegremente, misturando azul e laranja, aquecendo todo o ambiente... você que tinha problema com o calor mesmo, pois ele consegue ser irritante e cansativo. Tenta agarrá-lo por longos segundos com as próprias mãos, cravando as unhas para tentar sufocá-lo, mas depois disso a sensação de impotencia volta e continuamos no zero a zero.
A indiferença do dia e da noite a faz querer desesperadamente palavras, muitas palavras, um dicionário de palavras. E é quando você mais precisa ouvi-las que o silêncio aparece, se instala, até começa a abrir a sua geladeira e deitar em sua cama. Então você apela aos corredores, minúsculos e claustofóbicos corredores onde você se esconde. E um telefonema, e-mail, sinal de fumaça seriam bemvindos, pra variar. Mas quem disse que a tecnologia do fogo já chegou aí?

Thursday, February 18, 2010

Vermelhosangue e plasma

Vermelhosangue é uma cor, sangue vermelho é um fato. É que todas as palavras sufocadas pela boca seca, hoje foram expelidas em sangue. Todos os moveis brancos agora estão sujos, as paredes com incontáveis manchas escuras. Sangue seco. Ar seco. Gelo seco. Gelo e sangue. O plasma pinga e respinga na minha janela, escorre e amarela o chão branco - como o cigarro amarela os dentes. Chão sagrado, intocado e sublime. Não acostumado com objetos estranhos mudou de cor pelo toque da substância.
Os elementos figurados e as substancias dissolvidas intoxicam o cômodo - e as artérias hemorrágicas continuam a jorrar. Em tardes como essa a saudade é vermelha. Vermelhosangue. Vermelhosangue é uma cor... já falei?

Saturday, January 23, 2010

Texo sem final



Você fala demais, e depois se arrepende. A sensação é parecida com aquela de quando você age sem pensar nas conseqüências, mas dessa vez memórias são inexistentes pois apenas foram palavras cuspidas para fora em um momento de fraqueza.
Segredo é guardado entre um e não entre dois, se você não quer que ninguém saiba, não conte. Regras básicas que todos deveriam dar ouvidos. Eu como sempre, ignoro todas as regras e tento remediar depois.
Transformar o branco em preto, complicar coisas descomplicadas, fumaça virar objeto sólido? Me descreve. E as luzes dos prédios na minha frente apenas servem para me lembrar de como eu sinto saudades de casa.
Tem uma certa banda que eu costumo muito ouvir, ela se chama Engenheiros do Hawaii. No meio das milhares de composições que me encantam existe uma que diz ‘uma luz se apaga no prédio em frente ao meu/ é a última janela iluminada, nada de anormal/ amanhã ela vai voltar.’ É assim hoje. O meu sono é inexistente, assim como o que fazer. O misto de sentimentos sem nomes me inunda de forma inexorável. Sim, o texto acaba aqui mesmo.

Thursday, January 21, 2010

Por do sol sulista

O por do sol do Rio Grande do Sul tem uma cor diferente dos outros espalhados pelo país. Passando alguns poucos dias na praia de Capão da Canoa - litoral gaúcho - tenho que admitir que o sol aqui é mais colorido.
Ao anoitecer, o céu azul vira multicolorido e todas as pessoas e prédios parecem tomar um banho de sépia recebendo aquele ar de fotos felizes que as revistas costumam possuir. O clima de verão, praia e férias me contagia e encanta. É notável a diferença das pessoas gaúchas e catarinenses... Aqui elas parecem ser muito mais amáveis com o próximo, e mais bem educadas. Deve ser cultural creio eu.
Mas eu sinto falta da minha praia Florianópolitana, da areia mole e seca, do mar azul esverdeado e das mulheres que costumam freqüentar a praia lá... As daqui parecem tão sem graça comparadas as catarinenses. Até os biquínis que são usados lá fazem mais o meu gosto.
Em compensação o fato de ficar em apartamento aqui me agrada por demais. Acho aconchegante, e ter que pegar elevador toda hora tem um efeito mais ou menos fascinante sobre mim. Hoje mesmo fui lavar os meus pés no chuveiro de baixo e conversei com vizinhos... Adorável!
O centrinho aqui é fofo, composto por uma rua principal, muitas lojinhas e pessoas. Muitas pessoas. O cheiro de maresia invade as narinas daqueles que andam pelas ruas alegremente comprando produtos que com o final das férias ficarão esquecidos em alguma gaveta.
Quanto a mim, ando pela rua analisando as cores e as pessoas, sentindo falta da acessibilidade que eu possuo em Florianópolis. Andar pela rua e não reconhecer nenhum rosto ou lugar é totalmente novidade para mim. Analisar as esquinas e não lembrar de nada ali, é chato. Eu gosto de conhecer, andar conversar, e as únicas pessoas para fazer isso aqui comigo são os meus parentes. E isso me deixa louca.
Ontem levei uma bronca por lançar uma ‘piadinha perigosa’. Sinto falta de ser eu mesma, é difícil ser você mesma no meio da família...

Monday, January 04, 2010

Manhãs de maio



O ponto central da sala era eu, e a chuva escorria pela janela pixelizando as imagens da rua. Lá dentro estava mais para freezer do que para academia em dia de verão.Entre quinze e dezoito graus, arrisco. Enquanto o frio gelava minhas entranhas, a monótona música levava embora quaisquer linhas de pensamentos que ainda resistiam em percorrer minha mente. Por algum motivo desconhecido, lembrei da minha infância. Para ser mais específica, lembrei de maio. Das manhãs de maio. Dos sábados de manhã de maio. Eu amava esses dias! E eu nem sei porque maio, porque de manhã, e porque as manhãs de sábado. As outras não serviam.
Eu adorava sentir o vento gélido na minha face e assistir o sol fazer parte da cena apenas como um mero figurante - pois para esquentar ele não servia. Talvez maio fosse meu mês preferido por março e abril serem muito chuvosos, em contramão que junho e julho são muito frios.
E tivesse que ser sábado pois sábado era dia de passear. Shopping, Mc, LIC, competições, ou comer brigadeiro assistindo filmes com a mãe.
E a cisma com de manhã, devia ser devido a expectativa gerada a respeito do dia em si, motivo pelo qual eu acordava cedíssimo sem sentir sono - o que nunca mais aconteceu, por sinal.
Sinto falta de tudo, nesse tempo em tudo era simplesmente tão simples. Das voltas de carro com minha mãe e dinda, e das gargalhadas gostosas largadas ao ouvir quaquer piada infantil e sem graça nenhuma.
Preciso dizer que a culpa para eu escrever sobre sábados de manhã em maio em uma segunda a noite de janeiro é toda da chuva.Quando ela me molha, leva embora com ela toda a minha razão. E eu nem ao menos me importo.
Garçon, uma dose de frio, sol, vento ameno, e uns anos do meu passado, por favor?