"In three words I can sum up everything I have learned about life: it goes on."


Monday, December 28, 2009

Friday, December 25, 2009

Cheiro de morango

Joguei tudo fora. Todos aqueles papeis e provas que por muito tempo vi como motivo da minha depressão. Mas eu estava errada, sempre estou. A depressão veio mesmo quando eu comecei a me livrar de tudo. Quando o cheiro de morango tomou conta do meu olfato me vi no passado... voltei uns três anos especificamente. Eu imaginava com muito anseio os dias atuais, em todos os sentidos e formas imagináveis... e agora eu me sinto vazia.
Quando você joga todas as coisas que por muito tempo fizeram parte de você fora, parece que existe um buraco. Um espaço vazio... que foi aberto e não vai e nem pode ser preenchido.
A crise de depressão trouxe saudades do passado, do presente e do futuro.
03:11. A madrugada é tão cheia de sentimentos... vou dormir.

Não era pra fazer sentido mesmo, ficou uma droga. Quem liga?

Thursday, December 17, 2009

"Antes, sempre que eu havia tentado, meus limites me davam uma sensação física de incômodo, em mim qualquer começo de pensamento esbarra logo com a testa. Cedo fui obrigada a reconhecer, sem lamentar, os esbarros de minha pouca inteligência, e eu desdizia o caminho. Sabia que estava fadada a pensar pouco, raciocinar me restringia dentro de minha pele. Como inaugurar agora em mim o pensamento? E talvez só o pensamento me salvasse, tenho medo da paixão. Esse esforço que farei agora por deixar subir à tona um sentido, qualquer que seja, esse esforço seria facilitado se eu fingisse escrever para alguém. Mas receio começar a compor para poder ser entendida pelo alguém imaginário, receio começar a “fazer” um sentido, com a mesma mansa loucura que até ontem era meu modo sadio de caber num sistema."
(Clarice Lispector)

Thursday, December 10, 2009

O mármore preto

Acordou antes do despertador, o subconsciente agitado deve ter sido o motivo. Olhou a hora. Cinco e meia. Pensou nos problemas e nas soluções, pensou no dia que iria enfrentar, nas palavras ditas na noite anterior. Notou a casa calma, invadida pela penumbra e apreciou o silêncio. Gostaria dele sempre. Cinco e quarenta e cinco. Resolveu levantar, foi no escuro até o banheiro, voltou para o quarto com o intuito de se trocar. Ligou apenas o abajur calculando que o pequeno feixe de luz não chegaria a acordar o sono-pesado-de-final-de-madrugada-quase-ficando-dia. Acertou. Vestida, tomou café na cozinha também sob meialuz pois ligou apenas as lâmpadas da área de serviço, sem barulho de passos. Ótimo. Ao tirar suas coisas da mesa contemplou a luminosidade melancólica de início de manhã chuvosa no mármore da pia da cozinha. Nada poderia combinar mais com seu humor do que aquela cena, ela e o mármore preto e gélido sentiam a mesma coisa. Seis horas.
Escovou os dentes e prendeu o cabelo sem a mínima vontade/pressa. Bosta de vida. Passos vindos do quarto em direção ao seu banheiro. Todo o esforço do escuro foi em vão. Bosta de vida na menos dez. Ele parou na porta do banheiro e a encarou, ela não mudou um traço de sua expressão, ignorando-o e evitando seus olhos. Seis e dez. Até que não é tão cedo para sair. Pegou a bolsa grande e marrom, catou as suas chaves e começou a se dirigir para a porta. Ele, que até então estava parado na mesma posição em frente ao banheiro se locomoveu sincronizadamente com ela. Duas pequenas perguntas foram respondidas em tom baixo e calmo pela voz feminina. O paradeiro das chaves dele e a hora que ela voltaria. Com o cuidado de ser mais monossilábica possível disse 'não sei' para a primeira e 'o mesmo de ontem' para a segunda. Seis e treze.
Abriu a porta e sentiu a fina cortina de chuva em seu rosto, a vontade de abrir o guarda chuva era mínima. Continuou andando. Atravessou a barreira de carros e saiu para fora da propriedade. Através do portão olhos de desculpas e você não me deu outra escolha a fitavam. Ela retribuiu com olhos fixos e duros. Olhos cheios de sentimento nenhum. Virou cento e oitenta graus e seguiu reto sem olhar para trás. Seis e desesseis.

10:30 AM 10/12/09

O tudo é absolutamente nada

A vontade de arrancar a cabeça deles é enorme! Depois de muito pensar cheguei a conclusão que os dois se merecem, para todo sempre. Eu é que estou sobrando, minhas ideias e vontades de nada se assemelham com as deles e tende a piorar a cada nanosegundo em que eu viver aqui. Só sabem cobrar e falar que você nunca foi boa como lhe era planejado. No colégio, nas amizades, até as preferências são as erradas. Bela forma de viver diariamente, não? De repente se eu fosse mais monga, nerd, chata, alta, com olhos mais azuis.. teria alguma diferença? Não.

Uma pessoa bipolar já é louca por sua própria natureza, quando combinada com um homem de meiaidade que vive na eterna adolescência é que o circo completa. Para a bipolaridade existe remédio, para a ilusão crônica... hospício? A total dependência me prende, a falta de escolha... Se tivesse oportunidade sumiria por aí!
Levaria meu irmão comigo por piedade a ele, pois disso tudo, incrivelmente saiu algo bom. Meu lindo, fofo que é o único que me apoia e concorda comigo diariamente. Durante o escuro, ele me mostrava a luz da janela e as notícias da TV.
Seis anos e já possui tamanha douçura! Seus dedinhos no meu cabelo e a face sobre a minha para me fazer dormir... como poderia abandoná-lo? ... É quase parte de mim, é como se ele fosse realmente meu.
Enquanto esses loucos brincavam de ser mais loucos ainda, eu já tinha um bom senso de responsabilidade. Colocava pra dormir, comer, tomar banho, trocar de roupa... E tudo continuava sendo jogado para o alto atrás das nossas costas.

Não quero mais isso! Quero uma casa clara, com espelhos e vidros onde exista um profundo silêncio. Um abismo de silêncio. Sempre colocaram meu próprio tempo a frente de mim, desde criança eu vivo o futuro ao invés do presente. E agora que eu não consegui realizar esse feito novamente estão todos loucos da vida! Minha preguiça e meu excesso de sono/lágrimas não ajudam, eu admito. Mas sempre fui amável, boa menina, compreensiva, dedicada, emotiva, feliz...

O alfabeto inteiro de qualidades sempre agradou todos a minha volta, mas agora parece que ninguém liga. Assim como ninguém me liga. Assim como ninguém liga a luz quando estou aqui, soterrada, sufocada, asfixiada pelas paredes. Minha porta de vidro começou a estilhaçar dentro da minha alma. Quero uma câmara escura aqui. Quero olhar pro nada e imaginar o tudo - mesmo o tudo sendo absolutamente nada.

00:37 AM 10/12/09

Monday, December 07, 2009

Strike two. Fail.

Na segunda vez foi rápido e rasteiro. A estrutura de início, meio e fim - inevitável fim - não fazia sentido. Nem sei dizer corretamente onde começou, mas posso afirmar que conheço os dias e motivos do término. Sabe quando em determinados momentos tudo parece melhor do que realmente é? Foi mais ou menos assim no dia eu que eu o conheci. Todo mundo estava tão alegre, e a música do carro era tão alta e animada, que fazia o meu cérebro acordado por 72 horas inteiras não assimilar absolutamente nada. Eu não notei sua camiseta - que mais futuramente eu passaria a abominar -, nem a conversa pronta que era ouvida pela minha audição cansada.

No próximo sábado foi tudo como manda os mandamentos, oizinho receptivo de prépaquera, olhares dos amigos sob as luzes. Ah, quão clichê! O fato de receber elogios e ouvir histórias de desilusões sempre me agradou muito. Aumento de autoestima, sentimento de ser melhor do que as outras - novamente. E tudo depois disso teve a velocidade multiplicada... Muitos encontros, encontros que de apenas encontros não tinham nada. O tempo voava pelas nossas vidas e a preocupação com os outros era inexistente! Chegar em casa cedo sempre foi a piadinha do momento... ha ha ha. Festas, pizzarias, luais, churrascos pareciam existir todos os dias da semana - e sem hora para terminar. Qualquer lugar para se recostar era bom, já que a lua e garrafas sempre estavam ao lado desejando boa noite.

A vida noturna sempre combinou comigo! Mas a falta do sol e de conversas familiares o encomodava - caso contrário ao meu, eu não estava nem aí. Exigências impostas, e eu boba continuei na mesma vida por gostar do beijo, cheiro, tato, vida com ele. Mas lá veio o brilho prateado me encomodar... Ah não! Dessa vez definitivamente não. Fotos e convites de casamentos tinham sido espalhados pelos lugares, pessoas vindo perguntar a data e o modelo do vestido.Com o passar do tempo eu asfixiei.Meus chás-de-sumiço - muito úteis no passado - e minha energia para os mesmos já se findado tinham com os meses. Escapulidas infalíveis, mensagens de textos discretas me salvavam quando nada mais parecia colaborar. Com a maior cara de pau, minha maquiagem era refeita, minha mãos limpas e horas depois eu agia como se nada tivesse acontecido.Ele também aprontava, nada poderia ser cobrado - era esse o trato ou eu nunca nos entendi direito? Teve muita coragem para me irritar, pensei durante os segundos nos quais tudo foi jogado fora.Quase tudo. O suficiente para terminar pra sempre sem nem se quer um adeus. Mas eu fui perdodada - e esse foi o problema maior. Atos cavalheirescos são bonitos em filmes, não na vida real quando você quer arrancar a cabeça do outro.

Eu não queria ser perdoada, queria voltar a ser livre. As ligações noturnas me torravam a paciência, odeio telefone! Três horas de alugação e romantismo trocando juras de amor eterno nunca entraram na minha lista de hobbies. Ainda fico indignada quando me lembro do que aconteceu no ano novo. Acho que você sabia o que ia acontecer. Ele era seu amigo afinal. Amigo de anos. Você deveria saber do que o cara era capaz. Nunca mais vou conseguir olhar para as gramas das casas de Jurerê Internacional sem pensar nela!
Depois dos fogos de feliz 2009 - que eu mal e porcamente me lembro - nada mais funcionou como devia. E por culpa minha, pois parecia que para ele era tudo um eterno romance.Eterno eterno. Com direito a caixão de casal para descansar em paz... em conchinha.

Em um certo dia de atritos - quase todos - palavras foram cuspidas, tudo que era guardado em mim. Mas mesmo assim continuou atras de mim, não me esquecia! Tentou beijos a força para relembrar a mim mesma meus primeiros sentimentos.Como se eu pudesse esquecer...Faça-me rir. Lembro de cada cheiro.A proibição de sair com os meus amigos - que tipo de amor era esse? - me matava. Eu precisava de vida fora dele. Horas depois da patética tentativa de beijo, liga bebado blasfemando contra mim. Muitas testemunhas existem desse fato, e como existem! Uma sala com 15 pessoas e muitos litros de vinho. Nunca achei que o vivavoz me seria tão últi.Sinto que nesses cinco meses envelheci cinco anos... e os quero de volta! Ainda vou cobrar,ah se vou!
Another relashionship."We" failed twice.Great.Kidding.

Saturday, December 05, 2009

Strike one. Fail.

Naquele primeiro tempo em que o brilho prateado tocou as pontas dos meus gélidos dedos eu me senti totalmente desprevinida, me lembro que a falta de escolha levou todas as palavras contidas no meu ser juntamente com o toque do metal. Por fora eu estava eufórica por poder provar para todos que eu consegui o que eu queria, para variar. Mas por dentro eu estava em carne viva, sangrando de desgosto por não poder ter vencido a discussão. Depois daquele sábado de fevereiro - me lembro muito bem - minha mão pesava mais do que o universo inteiro - com todas as galáxias e cometas - nas minhas costas. Então eu fiz um trato com as minhas duas personalidades. Aquilo que até então eu considerava uma benção e mudou da água pro vinho em algumas semanas só pesaria nas segundas, terças, quintas e domingos à noite. Durante o dia eu gostava de me sentir livre... Ah, não vamos esquecer dos sábados!!! Esses eram os que continham as tardes mais longas - até eu aprender a invisibilidade para seletas pessoas.

Angústia, e raiva me consumiram com o passar dos meses, as histórias que eu jurei esquecidas não estavam tão esquecidas afinal. Meu rosto e boca só estavam mantendo as aparências.Os problemas possuiam forma e nome, neste caso, Junho. Tudo virou imagem, contraste e saturação das cores. A nossa gama foi sumindo sobrando o preto e branco. Branco obviamente ofuscado pelo brilho prateado - que servia para dizer a quem quisesse ouvir que tudo existia da forma que nos foi imposta. Claro que as tardes sozinhos, trancados e com música alta tinham um motivo... Mas ninguém tinha consciência disso - pelo menos era o que eu achava. Era uma camuflagem perfeita. Com os riscos no rosto e as folhas em volta. Um dia ameno de agosto, as folhas haviam caido dando ao dia ventoso uma cor dourada. Eu tinha aberto a porta instantes antes da estridência dos toques do telefone atingirem meus tímpanos.

Estava para entrar no banho e o rápido pensamento de não atender veio em flash, mas os bons hábitos falaram mais alto. Sempre falam. Uma voz cortada pelo medo e desamparado me disse que o brilho prateado estava me deixando para sempre. Eu concordei, e senti a hesitação na respiração quando nenhuma objeção foi imposta as palavras ditas. Eu gritei, e lágrimas quentes escorreram - não posso negar - mas, pela primeira vez em muitos meses eu me sentia leve. Leve de correr o risco de ser levada pelos ares na próxima ventania que desse. Senti minha mão direita novamente, livre daquela luz pesada que me cegava quando escurecia certos dias da semana. Períodos de loucura se sucederam depois daquele mês. O gosto da liberdade foi sentido em muitas bocas na quais eu desejei por tanto tempo. Mas cansou, o valor que é atribuído a você depois de dosagens altas da droga é nulo. Fim de semana no norte da ilha, domingo estranho falando da banda mais modinha do momento. Ah, o brilho prateado de novo!

Thursday, December 03, 2009

Adeus, donzela.

O que eu consegui perceber no meio dessas poucas muitas informações que eu rapidamente em uma tarde recolhi é que o problema dela é não saber ser rejeitada. Pelo visto, nunca tinha tido essa experiência até então. Dói, eu sei... já passei por isso. Mas ela lida com isso da pior forma possível. Chata, mimada e egoísta não consegue ver que existem coisas mais interessantes no mundo que o próprio umbigo. Como me irrita isso! Esse egocentrismo exagerado que existe nas pessoas - principalmente nela. Queria olhar no fundo dos seus olhos e mandar ela crescer, por mais que não exista uma agulha de intimidade entre nós.
E todo o mundo já começou a notar... o baile que você entrou linda e mascarada já está no final, toda a enganação das suas plumas estão caindo, pessoas estão querendo te maltratar... a garota que até então todos amavam, que pena. E a cada segundo eu sinto a festa que você finge de vida se esvaindo entre a melodia que cada vez fica mais lenta, mais lenta, mais lenta... E o relógio está girando, girando, girando... Oh não!!! Meia-noite.
Sinto muito - não tanto assim - mas tenho que lhe dizer: Adeus, donzela. Pra sempre.

Tuesday, December 01, 2009

Eu gosto

Eu gosto do cheiro do café. Das pessoas sentadas e das risadas escandalosas. Dos cabelos curtos e bem cortados. Dos acessórios. Das muitas cores, ou do preto e branco. Gosto dos saltos altos. Das coisas combinando. Gosto dos bons livros. De coisas indies, cults e hypes. Gosto de óculos de grau. De assuntos inteligentes. De entender a cabeça das pessoas. De analisa-las. De ouvir tudo o que é dito ao redor de mim. De saber o que eu não deveria saber. De entender muito de certas coisas e absolutamente nada de outras. Do verbo ignorar quando eu o pratico mas não o recebo. Gosto da dramaturgia, tem aguma coisa realmente mágica nela. Não entendo o motivo das pessoas serem tão antipáticas. Mas entendo quando elas são ciumentas. E posessivas. Tem algo sexy na posessividade.
Gosto das sinaleiras. Dos arranhacéus. Do barulho da cidade. Das buzinas. Dos malabaristas na frente do sinal vermelho. Do não pelo sim. Do dito pelo não dito. Dos pensamentos. Das músicas. Ah, essas eu adoro mais que tudo! Gosto do astral da depressão. Quarto escuro... gosto também. Céu cinzento. Nada para fazer. Chuva na janela. Poças d'água.
Gosto de dormir. Dormir de manhã. Fingir que o relógio não existe e esquecer de tudo. De não ter rotina. De sair para caminhar às três horas da manhã. De beijar. De morder também. De cantar. De tocar. De filmar. De ser livre. De sentir...