"In three words I can sum up everything I have learned about life: it goes on."


Monday, November 30, 2009

Mais um texto clichê.

Eu quero os teus lábios encostando no lóbulo da minha orelha, e tua mão percorrendo o meu corpo por inteiro, sentir tua respiração e tua pele na minha. Quero poder olhar nos teus olhos e saber que eles sentem e querem a mesma coisa que os meus. Juntar nossas mãos e ficar imóvel para sempre, como se fossemos uma fotografia antiga.
Tudo naquele momento me agradava... a manhã nublada de sábado, o cheiro do teu pescoço, a bagunça do quarto a nossa volta, o cansaço que a festa da noite anterior tinha nos proporcionado, o silêncio do apartamento em contraste com o barulho da rua, a luminosidade que batia da janela em nós enrosqueados.
A ansiedade e o medo de sermos pegos - o que ironicamente quase aconteceu - davam a cena uma imagem quase irreal, davam um ar da minha imaginação solitária nas noites que eu estava aqui sem você. (como hoje)
E se me pedissem para descrever tudo que aconteceu até hoje em uma única palavra eu diria sinceramente que eu não sei. Que eu não tenho a mínima ideia e estou completamente perdida. A minha vulnerabilidade nesse instante é tamanha que se qualquer coisa se opusesse entre nós eu entraria em colapso. E um dos bem grandes. Eu sei que permiti que fosse criada uma brecha entre nós durante todos esses meses, e que agora eu tenho que aprender a lidar com as consequências. E eu to tentando fazer isso da melhor forma possível. (você acreditaria?)
E agora que parece que tudo foi superado e posto de lado eu não consigo tirar da minha cabeça as imagens de nós sábado de manhã, e de nós acordando naquela sexta anterior à páscoa. E eu lembro e relembro, e relembro.
Quão clichê. Ter, largar, se arrepender, ter de volta, e querer mais que tudo no mundo por só ter dado valor quando não tinha mais. Cadê o novo script...?

Friday, November 27, 2009

Texto do desabafo

E talvez isso possa doer, não sei. Analisando essa situação como um todo, tudo é muito confuso e difícil de entender... e vendo tudo como atos isolados é muito claro. As palavras que querem sair da minha boca, mas que por infindável medo nunca foram pronunciadas estão sendo gritadas diariamente dentro da minha cabeça. Ansiedade. Palavrinha chata que me consome desde criança e que cada vez mais cresce dentro do meu ser...
O mesmo ser que te quer, tem um lado estranho, confuso, lado de querer tudo e não ter nada. Mais vale um pássaro na mão do que dois voando sempre fez sentido para mim, hoje em dia eu tenho as minhas dúvidas. Talvez eu seja a little bit chata e insuportável mas todo mundo é um pouco. De repente você merece mesmo algo melhor do que eu, algo que todos querem que você possua mas que ambas as partes ( a sua e dela) por algum motivo não se interessam. E eu me sinto perdida no meio de tudo isso, me sinto sobrando, me sinto como uma carta fora do baralho...
Quero as horas passem rapidamente, que os instantes voem e que hoje em um piscar de olhos vire amanhã, para eu poder apenas relembrar ao invés de viver. E que essas lembranças me consumam por inteira de forma rápida e avassaladora como as chamas em um incêndio.
Ainda não consigo entender em como eu consigo me meter em tamanhos problemas, se é que isso é um problema...
Nada pode me ajudar hoje, nada. Talvez a morte, mas entre ela e a noite eu fico com a noite. Por enquanto.

Wednesday, November 18, 2009

A Senhora Nostalgia

A Senhora Nostalgia apareceu hoje. Fazia um tempão que ela não me visitava, eu disse que olá e pedi para ela entrar, logo ela me disse que ia permanecer por tempo indeterminado... e quem disse que eu ligava? Mandei ela sentar, e ofereci um pouco de café.
O tiquetaque do relógio nunca ajudou nessas visitas, sempre as tornaram mais longas e complicadas do que deveriam realmente ser, mas hoje, eu oficialmente não ligo. A sensação de vazio, misturada com saudade produz um efeito indescrítivel, percebi, enquanto fazia para aquela velha Senhora o café preto de sempre. O burburinho da tevê em volúme inaldível mixado com aquela banda das antigas que estava tocando igualmente abaixo do normal no notebook, deram ao céu cinzento dessa tarde uma cor mais cinzenta ainda.
Eu nunca entendi bem porque essa velha gosta de ir e vir sem avisar, mas também nunca a questionei, nem ao menos sequer dirigi a ela uma só palavra, sempre fiquei ouvindo tudo que ela tinha a me dizer. Mas hoje não.
É estranho que o tempo nos mostre o que antes era tão impossível de se ver, é estranho que a saudade de uma coisa que nunca aconteceu doa igualmente - ou mais - de algo sólido e concreto. É estranho que uma música, um cheiro, uma cor nos tragam todas as emoções igualmente na mesma proporção que a sentíamos muitos anos atrás. É estranho que essa Senhora Nostalgia apareça sempre na mesma época do ano (no meu caso, dezembro ou perto dele) e sempre me lembre a mesma coisa, me faça sentir a mesma coisa, todos os anos sucessivamente.
Como essa mulhezinha tinha assunto, pensei. Quantos planos para as próximas férias, iguaizinhos aos que foram feitos para as férias anteriores e muitos deles nunca foram realizados. Remorso. Outro Senhor que provavelmente deve ser parente muito próximo da Sra. Nostalgia porque no meu caso ele quase sempre aparece depois de algum tempo de batepapo com ela.
Percebi que essazinha que apareceu aqui na porta do meu quarto não tinha senso do limite, enquanto eu ouvia as motivaçõs que proporcionaram as ações do passado, em mim eram jogadas fotos e cartas. Pernas brancas entrelaçadas umas nas outras contrastando com o chão mais branco ainda. Essa sou eu. Muito branco totalmente encoberto por muitas cores. Ah, o multicolorido. Mais sermões.
Ouvi as músicas que ela queria que eu ouvisse. Li e reli as cartas, olhei e reolhei as fotos, e nada dela ir embora. Quando ela disse que era por tempo indeterminado eu não acreditei... Mais um problema: nunca acreditar que as pessoas vão realmente fazer o que disseram que iriam. Raiva.
Vontade de expulsa-la da minha casa, da minha vida, do meu corpo. Vontade de me banir da minha própria cabeça. Boa ideia. Senhora, você acha que eu consigo fazer tal feito? Senhora...?
Vazio e silêncio - coisas que andam quase sempre juntas. Nenhum sinal da Senhora Nostalgia na sala, no quarto, no banheiro. A xícara vazia e os papeis no chão continuam. A bagunça sempre fica para mim, para variar. Pernas brancas e finas se levantam do chão branco e gélido. Vai saber quem aquele maluca com boca enorme foi assombrar.