"In three words I can sum up everything I have learned about life: it goes on."


Monday, December 28, 2009

Friday, December 25, 2009

Cheiro de morango

Joguei tudo fora. Todos aqueles papeis e provas que por muito tempo vi como motivo da minha depressão. Mas eu estava errada, sempre estou. A depressão veio mesmo quando eu comecei a me livrar de tudo. Quando o cheiro de morango tomou conta do meu olfato me vi no passado... voltei uns três anos especificamente. Eu imaginava com muito anseio os dias atuais, em todos os sentidos e formas imagináveis... e agora eu me sinto vazia.
Quando você joga todas as coisas que por muito tempo fizeram parte de você fora, parece que existe um buraco. Um espaço vazio... que foi aberto e não vai e nem pode ser preenchido.
A crise de depressão trouxe saudades do passado, do presente e do futuro.
03:11. A madrugada é tão cheia de sentimentos... vou dormir.

Não era pra fazer sentido mesmo, ficou uma droga. Quem liga?

Thursday, December 17, 2009

"Antes, sempre que eu havia tentado, meus limites me davam uma sensação física de incômodo, em mim qualquer começo de pensamento esbarra logo com a testa. Cedo fui obrigada a reconhecer, sem lamentar, os esbarros de minha pouca inteligência, e eu desdizia o caminho. Sabia que estava fadada a pensar pouco, raciocinar me restringia dentro de minha pele. Como inaugurar agora em mim o pensamento? E talvez só o pensamento me salvasse, tenho medo da paixão. Esse esforço que farei agora por deixar subir à tona um sentido, qualquer que seja, esse esforço seria facilitado se eu fingisse escrever para alguém. Mas receio começar a compor para poder ser entendida pelo alguém imaginário, receio começar a “fazer” um sentido, com a mesma mansa loucura que até ontem era meu modo sadio de caber num sistema."
(Clarice Lispector)

Thursday, December 10, 2009

O mármore preto

Acordou antes do despertador, o subconsciente agitado deve ter sido o motivo. Olhou a hora. Cinco e meia. Pensou nos problemas e nas soluções, pensou no dia que iria enfrentar, nas palavras ditas na noite anterior. Notou a casa calma, invadida pela penumbra e apreciou o silêncio. Gostaria dele sempre. Cinco e quarenta e cinco. Resolveu levantar, foi no escuro até o banheiro, voltou para o quarto com o intuito de se trocar. Ligou apenas o abajur calculando que o pequeno feixe de luz não chegaria a acordar o sono-pesado-de-final-de-madrugada-quase-ficando-dia. Acertou. Vestida, tomou café na cozinha também sob meialuz pois ligou apenas as lâmpadas da área de serviço, sem barulho de passos. Ótimo. Ao tirar suas coisas da mesa contemplou a luminosidade melancólica de início de manhã chuvosa no mármore da pia da cozinha. Nada poderia combinar mais com seu humor do que aquela cena, ela e o mármore preto e gélido sentiam a mesma coisa. Seis horas.
Escovou os dentes e prendeu o cabelo sem a mínima vontade/pressa. Bosta de vida. Passos vindos do quarto em direção ao seu banheiro. Todo o esforço do escuro foi em vão. Bosta de vida na menos dez. Ele parou na porta do banheiro e a encarou, ela não mudou um traço de sua expressão, ignorando-o e evitando seus olhos. Seis e dez. Até que não é tão cedo para sair. Pegou a bolsa grande e marrom, catou as suas chaves e começou a se dirigir para a porta. Ele, que até então estava parado na mesma posição em frente ao banheiro se locomoveu sincronizadamente com ela. Duas pequenas perguntas foram respondidas em tom baixo e calmo pela voz feminina. O paradeiro das chaves dele e a hora que ela voltaria. Com o cuidado de ser mais monossilábica possível disse 'não sei' para a primeira e 'o mesmo de ontem' para a segunda. Seis e treze.
Abriu a porta e sentiu a fina cortina de chuva em seu rosto, a vontade de abrir o guarda chuva era mínima. Continuou andando. Atravessou a barreira de carros e saiu para fora da propriedade. Através do portão olhos de desculpas e você não me deu outra escolha a fitavam. Ela retribuiu com olhos fixos e duros. Olhos cheios de sentimento nenhum. Virou cento e oitenta graus e seguiu reto sem olhar para trás. Seis e desesseis.

10:30 AM 10/12/09

O tudo é absolutamente nada

A vontade de arrancar a cabeça deles é enorme! Depois de muito pensar cheguei a conclusão que os dois se merecem, para todo sempre. Eu é que estou sobrando, minhas ideias e vontades de nada se assemelham com as deles e tende a piorar a cada nanosegundo em que eu viver aqui. Só sabem cobrar e falar que você nunca foi boa como lhe era planejado. No colégio, nas amizades, até as preferências são as erradas. Bela forma de viver diariamente, não? De repente se eu fosse mais monga, nerd, chata, alta, com olhos mais azuis.. teria alguma diferença? Não.

Uma pessoa bipolar já é louca por sua própria natureza, quando combinada com um homem de meiaidade que vive na eterna adolescência é que o circo completa. Para a bipolaridade existe remédio, para a ilusão crônica... hospício? A total dependência me prende, a falta de escolha... Se tivesse oportunidade sumiria por aí!
Levaria meu irmão comigo por piedade a ele, pois disso tudo, incrivelmente saiu algo bom. Meu lindo, fofo que é o único que me apoia e concorda comigo diariamente. Durante o escuro, ele me mostrava a luz da janela e as notícias da TV.
Seis anos e já possui tamanha douçura! Seus dedinhos no meu cabelo e a face sobre a minha para me fazer dormir... como poderia abandoná-lo? ... É quase parte de mim, é como se ele fosse realmente meu.
Enquanto esses loucos brincavam de ser mais loucos ainda, eu já tinha um bom senso de responsabilidade. Colocava pra dormir, comer, tomar banho, trocar de roupa... E tudo continuava sendo jogado para o alto atrás das nossas costas.

Não quero mais isso! Quero uma casa clara, com espelhos e vidros onde exista um profundo silêncio. Um abismo de silêncio. Sempre colocaram meu próprio tempo a frente de mim, desde criança eu vivo o futuro ao invés do presente. E agora que eu não consegui realizar esse feito novamente estão todos loucos da vida! Minha preguiça e meu excesso de sono/lágrimas não ajudam, eu admito. Mas sempre fui amável, boa menina, compreensiva, dedicada, emotiva, feliz...

O alfabeto inteiro de qualidades sempre agradou todos a minha volta, mas agora parece que ninguém liga. Assim como ninguém me liga. Assim como ninguém liga a luz quando estou aqui, soterrada, sufocada, asfixiada pelas paredes. Minha porta de vidro começou a estilhaçar dentro da minha alma. Quero uma câmara escura aqui. Quero olhar pro nada e imaginar o tudo - mesmo o tudo sendo absolutamente nada.

00:37 AM 10/12/09

Monday, December 07, 2009

Strike two. Fail.

Na segunda vez foi rápido e rasteiro. A estrutura de início, meio e fim - inevitável fim - não fazia sentido. Nem sei dizer corretamente onde começou, mas posso afirmar que conheço os dias e motivos do término. Sabe quando em determinados momentos tudo parece melhor do que realmente é? Foi mais ou menos assim no dia eu que eu o conheci. Todo mundo estava tão alegre, e a música do carro era tão alta e animada, que fazia o meu cérebro acordado por 72 horas inteiras não assimilar absolutamente nada. Eu não notei sua camiseta - que mais futuramente eu passaria a abominar -, nem a conversa pronta que era ouvida pela minha audição cansada.

No próximo sábado foi tudo como manda os mandamentos, oizinho receptivo de prépaquera, olhares dos amigos sob as luzes. Ah, quão clichê! O fato de receber elogios e ouvir histórias de desilusões sempre me agradou muito. Aumento de autoestima, sentimento de ser melhor do que as outras - novamente. E tudo depois disso teve a velocidade multiplicada... Muitos encontros, encontros que de apenas encontros não tinham nada. O tempo voava pelas nossas vidas e a preocupação com os outros era inexistente! Chegar em casa cedo sempre foi a piadinha do momento... ha ha ha. Festas, pizzarias, luais, churrascos pareciam existir todos os dias da semana - e sem hora para terminar. Qualquer lugar para se recostar era bom, já que a lua e garrafas sempre estavam ao lado desejando boa noite.

A vida noturna sempre combinou comigo! Mas a falta do sol e de conversas familiares o encomodava - caso contrário ao meu, eu não estava nem aí. Exigências impostas, e eu boba continuei na mesma vida por gostar do beijo, cheiro, tato, vida com ele. Mas lá veio o brilho prateado me encomodar... Ah não! Dessa vez definitivamente não. Fotos e convites de casamentos tinham sido espalhados pelos lugares, pessoas vindo perguntar a data e o modelo do vestido.Com o passar do tempo eu asfixiei.Meus chás-de-sumiço - muito úteis no passado - e minha energia para os mesmos já se findado tinham com os meses. Escapulidas infalíveis, mensagens de textos discretas me salvavam quando nada mais parecia colaborar. Com a maior cara de pau, minha maquiagem era refeita, minha mãos limpas e horas depois eu agia como se nada tivesse acontecido.Ele também aprontava, nada poderia ser cobrado - era esse o trato ou eu nunca nos entendi direito? Teve muita coragem para me irritar, pensei durante os segundos nos quais tudo foi jogado fora.Quase tudo. O suficiente para terminar pra sempre sem nem se quer um adeus. Mas eu fui perdodada - e esse foi o problema maior. Atos cavalheirescos são bonitos em filmes, não na vida real quando você quer arrancar a cabeça do outro.

Eu não queria ser perdoada, queria voltar a ser livre. As ligações noturnas me torravam a paciência, odeio telefone! Três horas de alugação e romantismo trocando juras de amor eterno nunca entraram na minha lista de hobbies. Ainda fico indignada quando me lembro do que aconteceu no ano novo. Acho que você sabia o que ia acontecer. Ele era seu amigo afinal. Amigo de anos. Você deveria saber do que o cara era capaz. Nunca mais vou conseguir olhar para as gramas das casas de Jurerê Internacional sem pensar nela!
Depois dos fogos de feliz 2009 - que eu mal e porcamente me lembro - nada mais funcionou como devia. E por culpa minha, pois parecia que para ele era tudo um eterno romance.Eterno eterno. Com direito a caixão de casal para descansar em paz... em conchinha.

Em um certo dia de atritos - quase todos - palavras foram cuspidas, tudo que era guardado em mim. Mas mesmo assim continuou atras de mim, não me esquecia! Tentou beijos a força para relembrar a mim mesma meus primeiros sentimentos.Como se eu pudesse esquecer...Faça-me rir. Lembro de cada cheiro.A proibição de sair com os meus amigos - que tipo de amor era esse? - me matava. Eu precisava de vida fora dele. Horas depois da patética tentativa de beijo, liga bebado blasfemando contra mim. Muitas testemunhas existem desse fato, e como existem! Uma sala com 15 pessoas e muitos litros de vinho. Nunca achei que o vivavoz me seria tão últi.Sinto que nesses cinco meses envelheci cinco anos... e os quero de volta! Ainda vou cobrar,ah se vou!
Another relashionship."We" failed twice.Great.Kidding.

Saturday, December 05, 2009

Strike one. Fail.

Naquele primeiro tempo em que o brilho prateado tocou as pontas dos meus gélidos dedos eu me senti totalmente desprevinida, me lembro que a falta de escolha levou todas as palavras contidas no meu ser juntamente com o toque do metal. Por fora eu estava eufórica por poder provar para todos que eu consegui o que eu queria, para variar. Mas por dentro eu estava em carne viva, sangrando de desgosto por não poder ter vencido a discussão. Depois daquele sábado de fevereiro - me lembro muito bem - minha mão pesava mais do que o universo inteiro - com todas as galáxias e cometas - nas minhas costas. Então eu fiz um trato com as minhas duas personalidades. Aquilo que até então eu considerava uma benção e mudou da água pro vinho em algumas semanas só pesaria nas segundas, terças, quintas e domingos à noite. Durante o dia eu gostava de me sentir livre... Ah, não vamos esquecer dos sábados!!! Esses eram os que continham as tardes mais longas - até eu aprender a invisibilidade para seletas pessoas.

Angústia, e raiva me consumiram com o passar dos meses, as histórias que eu jurei esquecidas não estavam tão esquecidas afinal. Meu rosto e boca só estavam mantendo as aparências.Os problemas possuiam forma e nome, neste caso, Junho. Tudo virou imagem, contraste e saturação das cores. A nossa gama foi sumindo sobrando o preto e branco. Branco obviamente ofuscado pelo brilho prateado - que servia para dizer a quem quisesse ouvir que tudo existia da forma que nos foi imposta. Claro que as tardes sozinhos, trancados e com música alta tinham um motivo... Mas ninguém tinha consciência disso - pelo menos era o que eu achava. Era uma camuflagem perfeita. Com os riscos no rosto e as folhas em volta. Um dia ameno de agosto, as folhas haviam caido dando ao dia ventoso uma cor dourada. Eu tinha aberto a porta instantes antes da estridência dos toques do telefone atingirem meus tímpanos.

Estava para entrar no banho e o rápido pensamento de não atender veio em flash, mas os bons hábitos falaram mais alto. Sempre falam. Uma voz cortada pelo medo e desamparado me disse que o brilho prateado estava me deixando para sempre. Eu concordei, e senti a hesitação na respiração quando nenhuma objeção foi imposta as palavras ditas. Eu gritei, e lágrimas quentes escorreram - não posso negar - mas, pela primeira vez em muitos meses eu me sentia leve. Leve de correr o risco de ser levada pelos ares na próxima ventania que desse. Senti minha mão direita novamente, livre daquela luz pesada que me cegava quando escurecia certos dias da semana. Períodos de loucura se sucederam depois daquele mês. O gosto da liberdade foi sentido em muitas bocas na quais eu desejei por tanto tempo. Mas cansou, o valor que é atribuído a você depois de dosagens altas da droga é nulo. Fim de semana no norte da ilha, domingo estranho falando da banda mais modinha do momento. Ah, o brilho prateado de novo!

Thursday, December 03, 2009

Adeus, donzela.

O que eu consegui perceber no meio dessas poucas muitas informações que eu rapidamente em uma tarde recolhi é que o problema dela é não saber ser rejeitada. Pelo visto, nunca tinha tido essa experiência até então. Dói, eu sei... já passei por isso. Mas ela lida com isso da pior forma possível. Chata, mimada e egoísta não consegue ver que existem coisas mais interessantes no mundo que o próprio umbigo. Como me irrita isso! Esse egocentrismo exagerado que existe nas pessoas - principalmente nela. Queria olhar no fundo dos seus olhos e mandar ela crescer, por mais que não exista uma agulha de intimidade entre nós.
E todo o mundo já começou a notar... o baile que você entrou linda e mascarada já está no final, toda a enganação das suas plumas estão caindo, pessoas estão querendo te maltratar... a garota que até então todos amavam, que pena. E a cada segundo eu sinto a festa que você finge de vida se esvaindo entre a melodia que cada vez fica mais lenta, mais lenta, mais lenta... E o relógio está girando, girando, girando... Oh não!!! Meia-noite.
Sinto muito - não tanto assim - mas tenho que lhe dizer: Adeus, donzela. Pra sempre.

Tuesday, December 01, 2009

Eu gosto

Eu gosto do cheiro do café. Das pessoas sentadas e das risadas escandalosas. Dos cabelos curtos e bem cortados. Dos acessórios. Das muitas cores, ou do preto e branco. Gosto dos saltos altos. Das coisas combinando. Gosto dos bons livros. De coisas indies, cults e hypes. Gosto de óculos de grau. De assuntos inteligentes. De entender a cabeça das pessoas. De analisa-las. De ouvir tudo o que é dito ao redor de mim. De saber o que eu não deveria saber. De entender muito de certas coisas e absolutamente nada de outras. Do verbo ignorar quando eu o pratico mas não o recebo. Gosto da dramaturgia, tem aguma coisa realmente mágica nela. Não entendo o motivo das pessoas serem tão antipáticas. Mas entendo quando elas são ciumentas. E posessivas. Tem algo sexy na posessividade.
Gosto das sinaleiras. Dos arranhacéus. Do barulho da cidade. Das buzinas. Dos malabaristas na frente do sinal vermelho. Do não pelo sim. Do dito pelo não dito. Dos pensamentos. Das músicas. Ah, essas eu adoro mais que tudo! Gosto do astral da depressão. Quarto escuro... gosto também. Céu cinzento. Nada para fazer. Chuva na janela. Poças d'água.
Gosto de dormir. Dormir de manhã. Fingir que o relógio não existe e esquecer de tudo. De não ter rotina. De sair para caminhar às três horas da manhã. De beijar. De morder também. De cantar. De tocar. De filmar. De ser livre. De sentir...

Monday, November 30, 2009

Mais um texto clichê.

Eu quero os teus lábios encostando no lóbulo da minha orelha, e tua mão percorrendo o meu corpo por inteiro, sentir tua respiração e tua pele na minha. Quero poder olhar nos teus olhos e saber que eles sentem e querem a mesma coisa que os meus. Juntar nossas mãos e ficar imóvel para sempre, como se fossemos uma fotografia antiga.
Tudo naquele momento me agradava... a manhã nublada de sábado, o cheiro do teu pescoço, a bagunça do quarto a nossa volta, o cansaço que a festa da noite anterior tinha nos proporcionado, o silêncio do apartamento em contraste com o barulho da rua, a luminosidade que batia da janela em nós enrosqueados.
A ansiedade e o medo de sermos pegos - o que ironicamente quase aconteceu - davam a cena uma imagem quase irreal, davam um ar da minha imaginação solitária nas noites que eu estava aqui sem você. (como hoje)
E se me pedissem para descrever tudo que aconteceu até hoje em uma única palavra eu diria sinceramente que eu não sei. Que eu não tenho a mínima ideia e estou completamente perdida. A minha vulnerabilidade nesse instante é tamanha que se qualquer coisa se opusesse entre nós eu entraria em colapso. E um dos bem grandes. Eu sei que permiti que fosse criada uma brecha entre nós durante todos esses meses, e que agora eu tenho que aprender a lidar com as consequências. E eu to tentando fazer isso da melhor forma possível. (você acreditaria?)
E agora que parece que tudo foi superado e posto de lado eu não consigo tirar da minha cabeça as imagens de nós sábado de manhã, e de nós acordando naquela sexta anterior à páscoa. E eu lembro e relembro, e relembro.
Quão clichê. Ter, largar, se arrepender, ter de volta, e querer mais que tudo no mundo por só ter dado valor quando não tinha mais. Cadê o novo script...?

Friday, November 27, 2009

Texto do desabafo

E talvez isso possa doer, não sei. Analisando essa situação como um todo, tudo é muito confuso e difícil de entender... e vendo tudo como atos isolados é muito claro. As palavras que querem sair da minha boca, mas que por infindável medo nunca foram pronunciadas estão sendo gritadas diariamente dentro da minha cabeça. Ansiedade. Palavrinha chata que me consome desde criança e que cada vez mais cresce dentro do meu ser...
O mesmo ser que te quer, tem um lado estranho, confuso, lado de querer tudo e não ter nada. Mais vale um pássaro na mão do que dois voando sempre fez sentido para mim, hoje em dia eu tenho as minhas dúvidas. Talvez eu seja a little bit chata e insuportável mas todo mundo é um pouco. De repente você merece mesmo algo melhor do que eu, algo que todos querem que você possua mas que ambas as partes ( a sua e dela) por algum motivo não se interessam. E eu me sinto perdida no meio de tudo isso, me sinto sobrando, me sinto como uma carta fora do baralho...
Quero as horas passem rapidamente, que os instantes voem e que hoje em um piscar de olhos vire amanhã, para eu poder apenas relembrar ao invés de viver. E que essas lembranças me consumam por inteira de forma rápida e avassaladora como as chamas em um incêndio.
Ainda não consigo entender em como eu consigo me meter em tamanhos problemas, se é que isso é um problema...
Nada pode me ajudar hoje, nada. Talvez a morte, mas entre ela e a noite eu fico com a noite. Por enquanto.

Wednesday, November 18, 2009

A Senhora Nostalgia

A Senhora Nostalgia apareceu hoje. Fazia um tempão que ela não me visitava, eu disse que olá e pedi para ela entrar, logo ela me disse que ia permanecer por tempo indeterminado... e quem disse que eu ligava? Mandei ela sentar, e ofereci um pouco de café.
O tiquetaque do relógio nunca ajudou nessas visitas, sempre as tornaram mais longas e complicadas do que deveriam realmente ser, mas hoje, eu oficialmente não ligo. A sensação de vazio, misturada com saudade produz um efeito indescrítivel, percebi, enquanto fazia para aquela velha Senhora o café preto de sempre. O burburinho da tevê em volúme inaldível mixado com aquela banda das antigas que estava tocando igualmente abaixo do normal no notebook, deram ao céu cinzento dessa tarde uma cor mais cinzenta ainda.
Eu nunca entendi bem porque essa velha gosta de ir e vir sem avisar, mas também nunca a questionei, nem ao menos sequer dirigi a ela uma só palavra, sempre fiquei ouvindo tudo que ela tinha a me dizer. Mas hoje não.
É estranho que o tempo nos mostre o que antes era tão impossível de se ver, é estranho que a saudade de uma coisa que nunca aconteceu doa igualmente - ou mais - de algo sólido e concreto. É estranho que uma música, um cheiro, uma cor nos tragam todas as emoções igualmente na mesma proporção que a sentíamos muitos anos atrás. É estranho que essa Senhora Nostalgia apareça sempre na mesma época do ano (no meu caso, dezembro ou perto dele) e sempre me lembre a mesma coisa, me faça sentir a mesma coisa, todos os anos sucessivamente.
Como essa mulhezinha tinha assunto, pensei. Quantos planos para as próximas férias, iguaizinhos aos que foram feitos para as férias anteriores e muitos deles nunca foram realizados. Remorso. Outro Senhor que provavelmente deve ser parente muito próximo da Sra. Nostalgia porque no meu caso ele quase sempre aparece depois de algum tempo de batepapo com ela.
Percebi que essazinha que apareceu aqui na porta do meu quarto não tinha senso do limite, enquanto eu ouvia as motivaçõs que proporcionaram as ações do passado, em mim eram jogadas fotos e cartas. Pernas brancas entrelaçadas umas nas outras contrastando com o chão mais branco ainda. Essa sou eu. Muito branco totalmente encoberto por muitas cores. Ah, o multicolorido. Mais sermões.
Ouvi as músicas que ela queria que eu ouvisse. Li e reli as cartas, olhei e reolhei as fotos, e nada dela ir embora. Quando ela disse que era por tempo indeterminado eu não acreditei... Mais um problema: nunca acreditar que as pessoas vão realmente fazer o que disseram que iriam. Raiva.
Vontade de expulsa-la da minha casa, da minha vida, do meu corpo. Vontade de me banir da minha própria cabeça. Boa ideia. Senhora, você acha que eu consigo fazer tal feito? Senhora...?
Vazio e silêncio - coisas que andam quase sempre juntas. Nenhum sinal da Senhora Nostalgia na sala, no quarto, no banheiro. A xícara vazia e os papeis no chão continuam. A bagunça sempre fica para mim, para variar. Pernas brancas e finas se levantam do chão branco e gélido. Vai saber quem aquele maluca com boca enorme foi assombrar.

Friday, October 23, 2009

Título um

Gostaria de ter uma frase feita pra esse momento, gostaria de ser mais.. clara?
Pra ser bem sincera isso é que nem estar na areia movediça - quanto mais você se meche mais atola. Minha cabeça parece ser assim, quanto mais eu penso.. mais continua na mesma.
Isso tem a ver com os pensamentos.. geralmente gosto de organiza-los cada um no seu devido lugar. Em ordem alfabética, por data, cores, por exemplo. O problema é que eu não sei aonde classifica-lo, e nem se devo faze-lo.
É.. talvez isso seja insanidade certo? Eu sei o que quero, e você também. Já conversamos. E muito. Passamos madrugadas conversando.
Você dizendo que eu lhe faço bem. É, pode ser.
Droga, isso não ajuda na classificação.Vou comprar um dicionário. Ou uma gramática? Hmm.

"Já era hora de você partir, feche a porta e saia sem sorrir.Não volte sem véu.
Eu fiz essa canção para lhe explicar, que eu não deveria me importar e nem pensar em você."

Pensar e desejar

Estou cansada de sentir falta de algo que eu não sei o que é. Sentir saudades de alguém que eu não conheço. Querer ouvir palavras que eu não sei quais, isso não é normal (eu acho).
O tempo passa, e dizem que ele é quem faz tudo valer a pena, e tem até aquela história que talvez nem os erros sejam um completo desperdício.É, pode ser. Também lembro e relembro que uma vez ouvi que o tempo não cura tudo, ou talvez não cure nada, ele apenas tira o incurável do centro das atenções.
Tempo, tempo ,tempo! Tudo gira ao redor do tempo, até dinheiro é tempo. Ou tempo é dinheiro (que seja).
Só queria que esse turbilhão de pensamentos sem propósitos sumissem, que eu pudesse pular as brigas, as noites em claro, as dúvidas, as angústias, as preocupações, as conversas desagradáveis.Desejo realmente que esses 'as' sumam, logo! Assim como os amores passageiros (que somem quando você pisca) - aqueles que passam rápido mas que infelizmente deixam marcas profundas.Talvez mais uma cicatriz para me livrar do 'as' não fosse uma troca tão injusta.O que me entristece é que já passou tempo, muito tempo de tudo isso. Na verdade talvez ele não cure mesmo, talvez ache apenas outra cicatriz mais funda para me marcar (me fazendo esquecer da anterior). Acho que é a isso que se refere quando citada 'o centro das atenções'.
Desejo um novo amor (talvez?) sem cobranças, sem compromissos, sem ofenças, sem situações constrangedoras. Desejo coisas fofas, uma carinho de vez em quando, uma pessoa legal, sem controles sobre o próximo.
Desejo saber se eu realmente desejo tudo isso, ou não. (pois sempre acabo me arrependendo depois)
Droga, viu. Pensamento estranhos de novo.Vou parar de pensar e desejar. Lembrei de outra frase: Cuidado com o que você deseja, pois pode se tornar realidade.

Monday, October 12, 2009

Letra i

Olhos cheios d'água que se deleitavam em risos, crises de risos, escandalosos risos.
E o que fazia a diferença eram as palavras que começavam com a letra "i", elas eram inexplicáveis, inexoráveis,infalíveis, infinitas. Podiam descrever quase tudo.
Amores e vunerabilidade tinham o mesmo significado: eram irrelevantes, irremediáveis, irreais e irreparáveis. O tempo e o destino também: eram irônicos, irrevogáveis e incomuns.
E assim seguia, porque mundo inteiro cabia na letra "i".. O sonho era inviável, o medo era inquestionável, o frio era inverno, a alegria inusitada; a briga, era intriga, o desejo incontrolável, a solidão, era o inferno; os pensamentos, intermináveis era.
A lembrança intensa, a ilusão era ilusão mesmo; e a morte super interessante. Os homens, insuficientes; as mulheres, intensas. A dor era Inquisição, a fome? Inconformada! E o idioma era inglês.
A luz ...ah a luz era só iluminação mesmo, o escuro é que era incerto.
O coração, eu sinto muito, mas era insignificante. O louco era insano, a flor ingênua, a música intuição. O diabético era insulina e o amigo? Insubstituível!O grito sempre foi impulso, a criança inquietação. O mal, inimigo; a mudança inovação. A santa era imaculada, a puta bem mais ideológica. A beleza era inveja, a hipocrisia era Igreja. Erros eram imaturidade e as drogas ilegais..
Bem, a inconstância meus caros amigos, era eu mesma
A felicidade... hum deixa me ver.. que tal.. imaginária?
E aí o ciclo fecha.

Friday, October 02, 2009

Gotas de chuva na minha janela

Está chovendo. E muito. E a chuva é feita de milhares de gotas de chuvas. Umas diferentes das outras. Mas o estranho é que todas elas vem do mesmo lugar.
A gota da chuva - que agora bate na janela do meu quarto, veio de longe, veio de quilometros de altura a cima da minha casa.
E a gota desce, paralelamente, a outras milhares de gotas como ela. Ela não sabe bem ao certo pra onde vai, mas ela está lá, indo, para o mesmo lugar que as outras vão.
E de repente ela bate em algo, algo que interrompe seu caminho, seu destino de chegar ao chão e formar uma poça de água.
Ela é barrada por algo transparente e impenetrável, ela tenta perguntar a semelhantes porque aquilo aconteceu, mas todas as outras a ignoram, fingem que não ouviram ou que não sabem. E agora ela está caindo de novo, e consegue notar que existem muitas outras que tiveram o mesmo destino que o dela - existem milhares de outras gotas desmanchando-se no vidro.
E ela começa a percorrer seu caminho verticalmente de forma calma, ela desliza suavemente entre os labirintos formados por outra gota, ela se sente confortável ali, acha que aquele é seu lugar, e percebe que talvez o destino do vidro da janela seja melhor que o da poça d'água.
Então tudo muda e alguns milímetros a baixo de onde se situa, percebe que gotas brigam por um lugar colado a superfície, e ela vai para direita e esquerda - em uma dança sem fim, tentando se esquivar dos pontinhos tranparentes...
Ela quer perguntar porque estão ali, parados, fixos, imóveis enquanto outros correm abaixo como rios.
Mas ninguém a ouve, ela é apenas mais uma no meio de milhões.
E sem notar, ela chega ao trilho da janela, aonde aquele límpido vidro corre, para mostrar o sol ou proteger-se da chuva, e a gota percebe, que na vida, não importa o que você pergunte, ou faça, ou até mesmo grite aos outros, ninguém nunca vai escutar, responder ou ajudar uma coisa que desde o início só está indo para aonde os outros estão indo.
E assim, ela morre, evaporando-se, quando o sol do fim da tarde aparece e a faz subir - para o mesmo lugar que saiu, e a gota respira fundo e agradece, porque agora ela pode simplesmente ver o sol brihar em cima das nuvens que um dia, a fizeram cair lá em baixo.

Mesmice

E tudo se arrasta, as pessoas os dias, as nuvens. Tudo está desgastado, cinza, cansado. Os assuntos, os sorrisos e os amores.
E todo mundo cria felicidade, e a procura em garrafas e cigarros.E as conversas fúteis continuam, assim como as mesmas histórinhas e os mesmos problemas.
Tudo é tão enjoativo, exaustivo............
E as músicas falam que tudo passa, e os humanos correm, correm, correm..
E os ponteiros continuam andando em órbitas, rodando, rodando, rodando.. E o céu continua cinza, e chove, e chove..
"Tell her you miss her when you’re close enough to kiss her & that you’d walk a thousand miles to tell her so." - October, Rosie Thomas

Citação bonita... ai, ai.

Sunday, September 27, 2009

O que me trouxe até aqui, afinal?

Vou fazer um primeiro post aqui, como se espera de alguém que fez um blog para si mesmo. A verdade é que eu não sei se foi a chuva, o livro que eu li de tarde, a conversa do jantar, ou só a minha cabeça mesmo com milhões de pensamentos (para variar), mas hoje é apenas mais um dos dias que eu me questiono: O que nos faz chegar aqui?
Quer dizer, eu não sei a quantos anos você nasceu, mas eu a 16 anos atrás era uma espécime de coisas fofa, gordinha, que não sabia falar, e chorava para conseguir as coisas (talvez esse fato não tenha mudado muito). Mas a questão é que todos éramos puros, indefesos, inteiros, intocados. Daí pensamos na vida, e em todas as coisas que nos contaminaram, nos lascaram, nos iludiram, nos detonaram, nos modificaram. Porque deixamos essas coisas acontecerem com a gente? Porque deixamos os outros interferirem em nós? Afinal, você é quem você é e pronto. Quando você babava e batia mãozinhas, ninguém te colocava na parede e mandava você escolher seu futuro. Eu sei que isso se chama crescer, mas ao mesmo tempo é tão difícil nos livrarmos das marcas que estão em nós, que crescer fica sendo tão incrivelmente difícil. A mudança sempre foi algo complicado, do meu ponto de vista. O fato de não saber o que me espera é o que me preocupa, o fato de ser obrigada a dar um tiro no escuro. E quando eu penso no fututo - uma estrada de duas mãos se forma - e vem juntamente o passado, eu volto a me perguntar como que eu cheguei até aqui. Talvez muitos tiros me trouxeram até aqui, e tenho certeza de que muitos mais disparos me levarão até lá (seja lá o que esse "lá" irá ser). Mas a que preço? Quais novos padrões serão impostos a mim, quais novos cortes serão feitos, lascas tiradas e enxertos postos?
E o mais estranho de tudo, é que eu sei, que por mais que eu dê mil tiros no escuro, e novecentos e noventa e nove deles deem errados, o milésimo dará certo. Porque por mais clichê que pareça, se não está bom, é porque não é o fim. E é esse otimismo que vem me mantendo semiviva durante os últimos meses, embora às vezes eu me pergunte se eu não irei me decepcionar. Pelo menos, eu já cheguei até aqui... né? E por mais que eu já tenha sofrido por coisas banais, chorado por quem não merecia, hoje eu vejo tudo aquilo como uma tremenda de uma bobagem. Será que algum dia, irei ver esse meu momento atual como tolice também? Perguntas, perguntas, perguntas. Mudanças, mudanças, mudanças. Escuro, escuro, escuro.